
O antigo primeiro-ministro angolano Marcolino Moco acusou os serviços secretos de controlarem a Comissão Nacional Eleitoral (CNE) em benefício do Presidente da República e do MPLA, alertando para o que considera ser a falta de transparência do processo eleitoral em Angola, numa altura em que o país se prepara para as eleições gerais de 2027.
“A CNE é controlada pelos serviços secretos, que não são do Estado, mas do Presidente da República e do MPLA também”, afirmou o antigo governante, em declarações à Lusa, à margem do colóquio “CPLP 30 anos – Uma Comunidade de Língua e de Futuro”, realizado no Centro Cultural de Belém, em Lisboa.
Moco antecipou que, no próximo ciclo eleitoral, os tribunais poderão ser utilizados para favorecer os actuais detentores do poder.
Na sua perspectiva, o sistema político angolano é marcado pela exclusão de adversários, tanto no interior do partido no poder como nas relações com a oposição.
O antigo primeiro-ministro criticou ainda a concentração do debate político nas eleições e nas dificuldades económicas e sociais, defendendo que a questão central reside na natureza das instituições e na exclusão de diferentes sectores da sociedade.
Marcolino Moco, que foi primeiro-ministro de Angola entre 1991 e 1996 e primeiro secretário executivo da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), entre 1996 e 2000, considerou que a organização tem cumprido uma missão essencialmente formal e diplomática, sem produzir resultados concretos suficientes na promoção do desenvolvimento e da democracia nos Estados-membros.
O antigo governante defendeu que a CPLP deve assumir um papel mais efectivo na defesa do Estado democrático e de direito, sem interferir na soberania dos países que a integram.
A organização foi criada em 17 de Julho de 1996 e reúne actualmente nove Estados-membros: Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe, Timor-Leste e Guiné Equatorial.