Médico alerta para elevada prevalência das hepatites virais em Angola
Médico alerta para elevada prevalência das hepatites virais em Angola
Hépatite

O médico infectologista angolano Beliganga Luís Baião alertou quinta-feira, no Lubango, para a elevada prevalência das hepatites virais em Angola, considerando a situação “extremamente preocupante” do ponto de vista da saúde pública.

O especialista falava durante a apresentação do tema “Hepatites virais: situação actual e perspectivas futuras”, no âmbito das primeiras jornadas científicas do Hospital Sanatório do Lubango, onde defendeu o reforço das medidas de prevenção, diagnóstico precoce e tratamento.

Segundo Beliganga Luís Baião, as hepatites virais continuam a ser uma doença largamente negligenciada em Angola, sobretudo por apresentarem, na maioria dos casos, uma evolução assintomática.

De acordo com o médico, muitos portadores de hepatite B desconhecem o seu estado serológico, situação que favorece a propagação silenciosa da doença e dificulta o seu controlo.

Em termos epidemiológicos, o especialista afirmou que Angola apresenta uma das mais altas prevalências de hepatites virais a nível mundial, com taxas superiores a oito por cento, podendo atingir entre 19 e 21 por cento, segundo diferentes estudos e inquéritos realizados no país.

Beliganga Luís Baião apontou a doação de sangue e as consultas pré-natais como momentos fundamentais para a detecção da doença, permitindo identificar casos até então desconhecidos.

No caso dos doadores de sangue, explicou, os indivíduos diagnosticados são encaminhados para consultas especializadas, com vista à avaliação clínica e eventual tratamento.

Já nas mulheres grávidas, o médico destacou a necessidade de adopção de medidas profilácticas para evitar a transmissão vertical, ou seja, da mãe para o filho.

O infectologista recordou ainda que as hepatites virais são transmitidas sobretudo por via parental e sexual, alertando para os riscos associados à partilha de materiais corto-perfurantes, como lâminas, agulhas, instrumentos de tatuagem e equipamentos de ‘piercing’ não esterilizados.

Na sua intervenção, o também fisiologista, mestre e doutor em Medicina Tropical, e docente da Faculdade de Medicina da Universidade Agostinho Neto, defendeu o reforço da educação sanitária, o cumprimento rigoroso das normas de biossegurança e a ampliação do acesso ao rastreio, sobretudo entre os grupos de risco.

Conforme o especialista, estas medidas são fundamentais para reduzir a incidência das hepatites virais em Angola e travar a progressão de uma doença que continua a representar um desafio silencioso para o sistema de saúde.

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