Ministério Público manda apreender os 20 apartamentos usurpados por Giovana Pinto Leite em Talatona
Ministério Público manda apreender os 20 apartamentos usurpados por Giovana Pinto Leite em Talatona
Giovana Pinto Leite

O Ministério Público junto do Serviço de Investigação Criminal (SIC/Luanda) mandou apreender os 20 apartamentos, localizados em Talatona, que haviam sido usurpados, em 2024, pela ex-miss Angola Giovana Pinto Leite, através de um ‘mega-esquema’ de corrupção e falsificação de escrituras públicas de compra e venda, emitidas pela loja do Cartório Notarial de Viana.

Propriedades das sociedades comerciais Camomila – Sociedade Imobiliária, S.A., Vista Lar – Sociedade Imobiliária, S.A., e da Azul Marinho – Sociedade Imobiliária, S.A., os 20 apartamentos foram objecto de confisco por servirem de “produto do crime” e “prova de prática criminal”, nos termos dos artigos 208.º e 224.º, do Código do Processo Penal angolano, citados no mandado de apreensão, assinado pelo magistrado público Raimundo José Francisco Martins.

Na quarta-feira, 10, os ocupantes dos referidos imóveis foram comunicados do referido expediente judicial e igualmente notificados para comparecerem, no próximo dia 15 de Junho do corrente ano, no SIC/Luanda, sito no Comando Provincial da Polícia Nacional, para serem ouvidos em auto de declarações.

Os 20 apartamentos são prova do polémico processo-crime envolvendo Giovana Pinto Leite, a sua advogada, Leda Nahary Bettencourt Alberto Rodrigues Mingas, e o ex-notário titular do Cartório Notarial de Viana Sala Fumuassuca Mário — este último exonerado e mais tarde expulso dos quadros do Ministério da Justiça e dos Direitos Humanos, por ordem do ministro Marcy Cláudio Lopes.

O polémico caso de corrupção e falsificação de escrituras públicas de compra e venda foi também responsável pelo encerramento, em Março de 2025, da loja do Cartório Notarial de Viana, depois que se tornou público a trama golpista, envolvendo a ex-miss Angola e as três imobiliárias, na qualidade de lesadas.

Encerramento do Cartório

Em Março de 2025, o Ministério da Justiça e dos Direitos Humanos informou, em comunicado, que, por determinação do titular daquele departamento ministerial, o Cartório Notarial de Viana teria os seus serviços “temporariamente suspensos”.

“Esta decisão foi tomada a título preventivo, em consequência da constatação de indícios de actos de corrupção e outras irregularidades no exercício da função pública, envolvendo alguns funcionários e terceiros”, referia o comunicado, que acrescentava:

“A medida tem como objectivo preservar a integridade do Ministério e assegurar a observância da legalidade dos actos e o respeito pelos direitos e interesses legalmente protegidos dos cidadãos”.

A decisão do Ministério da Justiça e dos Direitos Humanos seria, na verdade, o corolário de uma acção inspectiva que decorreu durante o mês de Fevereiro daquele ano, que resultou, inicialmente, na suspensão do então notário titular Sala Fumuassuca Mário e de outros funcionários, igualmente envolvidos em casos de corrupção, descobertos pela equipa ministerial da Direcção de Inspecção.

Usurpação

O caso da usurpação dos imóveis remonta a 2 de Maio de 2024, quando Giovana Pinto Leite, através da sua advogada Leda Mingas, conseguiu que ex-notário titular do Cartório Notarial de Viana Sala Fumuassuca Mário lavrasse 20 certidões — extraídas de escrituras públicas de compra e venda inexistentes nos livros notariais —, correspondentes a 20 apartamentos, propriedades das três imobiliárias.

Com as referidas certidões falsas, a advogada de Giovana Pinto Leite efectuou depois, junto da Conservatória do Registo Predial, a inscrição dos 20 imóveis em nome da sua cliente à margem da lei, uma vez que o registo predial só poderia ser feito mediante apresentação da escritura pública e do pagamento do imposto de Sisa.

À data dos factos, os responsáveis das três imobiliárias não se encontravam no país, entretanto, os documentos usados para o registo dos referidos imóveis atestavam que perante o notário “se apresentaram Carlos Alberto dos Santos e Rui Jorge Teixeira da Costa Reis (em representação das imobiliárias) e Leda Nahary Bettencourt Alberto Rodrigues Mingas (na qualidade de advogada de Giovana Pinto Leite)”.

Durante a inspecção, além da falsificação das certidões, chegou-se também à conclusão de que os valores alegadamente pagos pela suposta ‘escritura pública de compra e venda’ não foram depositados na Conta Única do Tesouro (CUT), e que os livros nos quais se encontravam as escrituras falsificadas estavam em lugar incerto.

Até à presente data, as actividades no Cartório Notarial de Viana continuam suspensas. O Ministério da Justiça e dos Direitos Humanos ainda não sinalizou quando devem ser retomadas.

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