
O brigadeiro reformado Domingos Jardo Muekalia, director da campanha eleitoral do partido PRA-JA Servir Angola e antigo quadro sénior da UNITA, faleceu na quinta-feira, 11 de Dezembro, no estado da Virgínia, nos Estados Unidos da América, por motivos de saúde.
Nascido a 20 de Setembro de 1959, no município do Mungo, província do Huambo, Jardo Muekalia ingressou na luta armada aos 16 anos, tornando-se uma das figuras mais influentes da UNITA durante o período do conflito armado e no pós-guerra.
Com formação militar obtida em Rabat, Marrocos, viria a alcançar a patente de brigadeiro reformado das Forças Armadas Angolanas.
Ao longo da sua carreira política e diplomática, desempenhou funções estratégicas no seio da UNITA, destacando-se como chefe dos serviços de inteligência do partido, secretário-adjunto para as Relações Exteriores e representante oficial da organização em Londres e, durante cerca de uma década, em Washington.
Nos Estados Unidos, liderou o mais abrangente programa de apoio norte-americano a uma entidade não estatal africana, consolidando a sua reputação nos círculos políticos internacionais.
Mestre em Relações Internacionais pelo Institute of World Politics, Domingos Jardo Muekalia participou activamente em processos de negociação de paz, incluindo as conversações de Abidjan e Lusaka, e esteve presente em todas as cimeiras realizadas no exterior entre Jonas Savimbi e José Eduardo dos Santos.
Era considerado um dos quadros mais respeitados e próximos do fundador da UNITA, tendo sido, em determinado momento, apontado como potencial sucessor de Isaías Samakuva na liderança do partido.
Recentemente, Jardo Muekalia desvinculou-se da UNITA e integrou o PRA-JA Servir Angola, a convite do seu presidente, Abel Epalanga Chivukuvuku, seu amigo pessoal, tendo sido empossado como director da campanha eleitoral.
A sua entrada foi vista como um reforço estratégico para o partido, num contexto de afirmação política e preparação para o próximo ciclo eleitoral em 2027.
Em comunicado, a direcção do PRA-JA destacou o “elevado sentido de responsabilidade, compromisso patriótico e dedicação” com que Domingos Jardo Muekalia assumiu as suas novas funções, endereçando condolências à família, amigos e companheiros de luta, e sublinhando a perda de um “quadro valioso e de um homem dedicado ao serviço público”.
As causas exactas da morte não foram oficialmente esclarecidas, estando a ser aguardados esclarecimentos clínicos adicionais. Mas, especula-se que o inditoso foi vítima de cancro intestinal.
Esta versão foi descurada pelo activista e analista José Gama. “Jardo Muekalia saiu recentemente de Angola para os Estados Unidos da América. Sentiu-se mal e foi ao hospital, onde permaneceu internado por dois dias, até que hoje fomos surpreendidos com a triste notícia”, escreveu, adiantando que ele não padecia de cancro conforme se esta a especular.
“Em Luanda, teve paludismo, que foi tratado. Aguardemos pelos resultados da autópsia”, defendeu.
A morte de Domingos Jardo Muekalia gerou várias reacções no meio político angolano. Numa mensagem de pesar, o general Higino Carneiro destacou que a sua dimensão “transcendeu as fronteiras partidárias”, considerando-o um intelectual ímpar, patriota e panafricanista de referência, cujo contributo para a paz e reconciliação nacional marcou de forma indelével a história contemporânea de Angola.