O império da força: como EUA e Israel empurram o mundo para guerra – Lando Simão Miguel
O império da força: como EUA e Israel empurram o mundo para guerra - Lando Simão Miguel
Trump e neta

Caminhamos a escassos centímetros de uma terceira guerra mundial. Aqueles que, em teoria, deveriam ser os apaziguadores transformaram-se em participantes diretos dos conflitos.

Os povos que os elegeram para defender exclusivamente os seus interesses e os seus territórios veem-se agora arrastados para guerras além-fronteiras, onde familiares e compatriotas morrem em confrontos nos quais nunca deveriam ter sido envolvidos.

A luta pela supremacia mundial e regional tem levado muitos líderes das grandes potências a cometer loucuras e a ceifar vidas inocentes, como se tem repetido em vários pontos do planeta.

Os responsáveis políticos parecem não ter aprendido nada, nem mesmo depois da devastação da Segunda Guerra Mundial.

O Médio Oriente arde. Israel, com o apoio direto dos Estados Unidos, mantém toda a região sob enorme tensão, recorrendo a pretextos frágeis e abusando do prestígio e da proteção que recebe de Washington.

As ações israelitas têm provocado instabilidade muito para além das suas fronteiras. Já os Estados Unidos, com uma política externa cada vez mais deteriorada, parecem encurralados na sua própria estratégia: recorrem sistematicamente à força para intimidar os mais fracos, mas perdem credibilidade sempre que falam em “paz”.

Quando estes líderes se reúnem para discutir a paz, de que paz falam realmente?

Nos últimos quarenta anos, o país que mais vezes recorreu à intervenção militar foi precisamente os Estados Unidos da América. Se os países são livres e soberanos, porque continuam a ser invadidos?

Quando a Rússia invadiu a Ucrânia, quase todo o mundo caiu sobre Moscovo com críticas e sanções. Mas onde está essa mesma indignação quando se trata de Israel ou dos Estados Unidos?

Porque é que apenas alguns têm a “carta” para decidir quem pode ou não violar fronteiras, destruir cidades ou impor a sua vontade?

A luta pela captura do Irão poderá deixar o mundo completamente debilitado, tanto política como militarmente.

Os alvos recentemente atingidos — segundo relatos que incluem referências ao Ministério da Inteligência iraniano, ao Ministério da Defesa, ao gabinete do Líder Supremo, à Agência de Energia Atómica e a Parchin — revelam uma escalada que ultrapassa qualquer lógica de contenção.

A intervenção direta de Israel, apoiada pelos Estados Unidos, transforma estes ataques em algo mais profundo do que simples operações cirúrgicas: são sinais de uma estratégia que ameaça todos os países que não se alinham com as políticas de Washington.

Esta ofensiva não é apenas um ataque ao Irão; é um aviso ao mundo. A mensagem implícita é clara: quem não seguir a linha americana arrisca-se a ser tratado como inimigo.

Esta postura, repetida ao longo das últimas décadas, tem corroído a estabilidade internacional e alimentado um clima de medo e desconfiança.

Em vez de promover segurança, cria um ambiente onde qualquer faísca pode desencadear um conflito de proporções globais.

A insistência em resolver disputas através da força, em vez da diplomacia, demonstra uma visão profundamente distorcida do que significa liderança mundial.

Quando se atacam centros nevrálgicos de um Estado soberano — inteligência, defesa, energia nuclear — não se está a procurar paz, mas sim a empurrar o mundo para um ponto de ruptura.

E, mais uma vez, os que pagam o preço são povos inteiros, arrastados para guerras que não escolheram.

*Investigador em Segurança e Defesa

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