O populismo dos deputados da UNITA – Armando Chicoca
O populismo dos deputados da UNITA – Armando Chicoca
Unita namibe

Toda acção tem reação, é isto que os políticos angolanos devem começar a reflectir, e esperar da sociedade civil sem simulações. Da mesma forma que se critica os defeitos da governação, devemos igualmente ter a mesma coragem de criticar os defeitos na acção política da oposição, se quisermos ser honestos.

A condenação feita pela destruição das Bimbas ou as bóias de pesca, na baía do Namibe e na boca do rio Bero, zonas reservadas para a reprodução do cardume, em conferência de imprensa no passado dia 14 de Junho, pelos deputados da UNITA residentes no Namibe, na voz do deputado Sampaio Mucanda, batendo-se no peito e alegando que as autoridades terão agido como criminosos, depois do nosso trabalho investigativo sobre a matéria em causa, apraz-nos dizer o seguinte:

Pela primeira vez mostro-me apreensivo com a ausência de responsabilidade política dos dois deputados da UNITA no Namibe, que presumo terem agido ‘a quentura do funge’ e com muita dose de populismo, sem terem feito o levantamento cauteloso do fenômeno para uma abordagem a altura da responsabilidade do partido que representam no Parlamento.

Certamente que não vão gostar do meu posicionamento técnico, profissional e civil, mas enquanto membro da sociedade civil, jornalista investigador e cidadão comprometido com a nossa terra sem olhar as cores partidárias, realço que os deputados da UNITA residentes no Namibe foram infelizes.

Que província vocês defendem se não querem que a lei, as normas de conduta (decretos presidenciais) sejam aplicados e respeitados?

Será que fazer política é encorajar o desrespeito das normas existentes e normalizar o que não é normal?

A ser assim, que moralização se pode esperar dos cidadãos encorajados a praticar actos que contrariam as normas que muitas delas passaram no crivo da Assembleia nacional?

Aqui falamos como cidadãos e profissionais comprometidos com a causa do país sem olhar as cores partidária. O senhor Deputado Sampaio Mucanda, que muito respeito, aliás faço parte daquela força motivadora que levou-lhe a ascensão a deputado, em que fundamento jurídico sustenta a sua afirmação quando disse: “vamos providenciar um escritório de advogados para levar às barras do tribunal o Estado angolano por ter destruído as bimbas das populações na baía do Namibe”.

A pergunta que se coloca é: com que fundamento?

Será que a prática de pesca ilegal que se fazia, por petizes e em situação degradante a própria saúde das crianças mandatadas pelas mais velhas, na baía e na boca do rio beiro, locais de reprodução e proibidos por decreto presidencial de fazer pesca, para vocês é um acto normal ou os senhores deputados desconhecem a legislação que vocês mesmos aprovaram no parlamento?

Será que estamos perante o acto de fazer política sem ética?

Os depoimentos dos ilustres deputados Sampaio Mucanda e Américo Wongo, desta vez, revelaram ingenuidade e envergonham a todos quanto sabem desta matéria.

Aconselhamos que os juristas e jornalistas assessores do partido do “Galo Negro” no Namibe devem trabalhar no sentido de que a ilegalidade não faça parte da defesa deste partido.

Política sim, mas com ética. Defender causas perdidas julgamos não ser este o objecto pelo qual foi criada a UNITA em 1968, em Mwangai.

Que haja juízo! As politiquices e o populismo não devem opor-se à governação responsável. A violação das normas, leis e decretos é punível nos termos da lei, por esta razão, encorajamos o governo do Namibe a impor a lei em prol do bem comum.

A criação de cooperativas no seio das mulheres peixeiras foi uma saída positiva para corresponder a ansiedade das comunidades em situação de pobreza, mas isto não condiciona o respeito e o cumprimento da lei porque pobre ou rico, governante ou governador, político ou apolítico, ninguém está acima da lei.

A conferência de imprensa dos deputados da UNITA residentes no Namibe no passado dia 14 de Junho, foi um fiasco e o mais agravante foi a falta de reação por parte dos deputados da bancada do MPLA residentes no Namibe.

*Jornalista

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