Petroff, o assassino embarrado – Luís Moniz
Petroff, o assassino embarrado – Luís Moniz
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A revelação chocante de Luís dos Passos ecoa como uma sinistra lembrança de um dos dias mais sombrios da história de Angola: 27 de Maio de 1977. Nesse dia fatídico, o general Santana André Pitra “Petroff”, então comandante-geral da Polícia Nacional, deu o início a uma brutalidade sem precedentes (que terminou em 1979) contra a população que se manifestava pacificamente em frente à Rádio Nacional de Angola, em Luanda.

O cenário de horror começou a ganhar forma dias antes, quando a manifestação inicialmente planeada para 25 de Maio foi adiada devido à indecisão dos organizadores, incluindo nomes proeminentes como Nito Alves e José Van-Dúnem. No entanto, o clima de agitação política no seio do MPLA instigou alguns a insistir na realização da manifestação no dia 27 de Maio.

Contrariando a narrativa de um golpe iminente, tal como Luís dos Passos, que agora se juntou às narrativas de generais como José Adão Fragoso e Silva Mateus, defende veementemente que Nito Alves não tinha intenções golpistas. Ao invés disso, a manifestação, conhecida por Agostinho Neto, visava protestar contra as políticas desastrosas do governo do MPLA, mergulhado em corrupção e racismo.

Contudo, a manifestação pacífica rapidamente se transformou em uma tragédia sem precedentes, resultando na morte de mais de 80 mil angolanos entre 1977 e 1979. À medida que os manifestantes se reuniam em frente à RNA na esperança de serem ouvidos, foram surpreendidos pelos disparos cruéis da Polícia Nacional, sob o comando de Petroff.

A terrível ordem para atacar civis desarmados revela a frieza e a brutalidade do comando. Enquanto Petroff – depois de ordenar a matança das primeiras vítimas do genocídio que teve início a 27 de Maio de 1977 até dois meses antes da morte de Agostinho Neto, em 1979 – tentava cobardemente esconder-se na 7ª Esquadra, feito um rato.

Petroff, um nome até então desconhecido para a maioria das vítimas – confesso que até a mim me passou despercebido – é agora exposto como um dos principais responsáveis pelo genocídio que teve início a 27 de Maio de 1977 até agosto de 1979.

Este episódio sombrio da história de Angola, que não pode ser apagado com um simples perdão do Presidente João Lourenço, serve como um lembrete angustiante dos perigos do abuso de poder e da negligência dos direitos humanos. A memória das vítimas, cujas vozes foram silenciadas pela brutalidade, deve ser honrada através da busca incansável pela justiça e da verdadeira reconciliação nacional.

Pois, a revelação do papel de Petroff, segundo Luís dos Passos, como o arquiteto da violência desencadeada em 27 de Maio de 1977 destaca a necessidade urgente de responsabilização pelos crimes cometidos contra a população angolana naquele dia fatídico. Perdoar, sim. Mas esquecer, nunca!

Este evento não deve ser apenas um capítulo sombrio nos livros de história, não pode morrer com um simples perdão do Presidente da República.

A coragem de Luís dos Passos em expor a verdade é um testemunho do seu compromisso historicamente com a transparência e a honestidade, mesmo diante das adversidades. Sua narrativa lança luz sobre os bastidores dos eventos que levaram à tragédia, desafiando narrativas estabelecidas pelo MPLA e expondo a verdade oculta.

Além de Petroff, é crucial que todos os responsáveis pelo genocídio sejam identificados e levados à justiça. Isso inclui não apenas os perpetradores diretos dos disparos, mas também aqueles que deram as ordens e os que permitiram que tais atrocidades ocorressem sob seu comando, como Agostinho Neto, Lúcio Lara, Onabwue e Iko Carreira, entre outros.

A memória das vítimas de 27 de Maio merece respeito e dignidade, como inúmeras vezes defendeu o malogrado general José Fragoso, então PCA da Fundação 27 de Maio.

Milhares de pessoas foram ceifadas de forma cruel e injusta, e é nosso dever como sociedade garantir que nunca sejam esquecidas. Devemos aprender com os erros do passado para construir um futuro mais justo e humano para todos os angolanos.

A exposição da verdade sobre o massacre de 27 de Maio também destaca a importância da liberdade de expressão e da imprensa independente na denúncia de injustiças e abusos de poder. É fundamental proteger e fortalecer esses pilares da democracia para evitar que tais tragédias se repitam no futuro.

À medida que a Angola enfrenta os desafios do presente e do futuro, é essencial confrontar honestamente o seu passado traumático e buscar a verdadeira reconciliação e a cura. Isso só pode ser alcançado através de um processo de verdade, justiça e reparação que honre as vítimas e promova a paz duradoura.

A revelação do papel de Petroff como o responsável do primeiro massacre de 27 de Maio – pois, registou-se posteriormente mais – deve servir como um lembrete contundente de que ninguém está acima da lei e que a justiça eventualmente prevalecerá, não importa quanto tempo leve, em memória às vítimas.

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