
A Procuradoria-Geral da República (PGR) anunciou esta terça-feira, 2 de Dezembro, que formalizou a acusação contra dois cidadãos russos – Igor Rotchin Mihailovich e Lev Matveevich Lakshtanov – e dois cidadãos angolanos – Amor Carlos Tomé e Oliveira Francisco – por crimes de espionagem, terrorismo e financiamento ao terrorismo.
Segundo a nota da PGR, a que o Imparcial Press teve acesso, o processo-crime nº 53599/2025 tramitou na Direcção Nacional de Investigação e Acção Penal durante a fase de instrução preparatória, tendo sido concluído que existem fortes indícios de envolvimento dos arguidos numa organização internacional dedicada à desestabilização de Estados e Governos, sobretudo no continente africano.
As investigações apontam que os cidadãos russos estariam a recrutar e financiar nacionais angolanos com influência social, capazes de mobilizar terceiros para actos de desobediência civil generalizada, como os ocorridos nos dias 28, 29 e 30 de Julho, durante a greve de taxistas, que resultou em tumultos e vandalismo em vários pontos de Luanda.
A PGR refere ainda que, a 27 de Novembro de 2025, foi formalizada a acusação, tendo os arguidos – detidos desde 7 de Agosto – e os seus advogados sido devidamente notificados.
Igor Rotchin Mihailovich, Lev Matveevich Lakshtanov, Amor Carlos Tomé e Oliveira Francisco enfrentam agora acusações pelos crimes de espionagem, organização terrorista, financiamento ao terrorismo, terrorismo, instigação pública ao crime, corrupção activa de funcionário e introdução ilícita de moeda estrangeira no país.
Contexto da detenção
O Serviço de Investigação Criminal anunciou, a 13 de Agosto, a detenção de dois cidadãos russos – Lev Lakshtanov e Ígor Racthin, de 38 anos – bem como dos angolanos Amor Carlos Tomé, jornalista de 38 anos, e Oliveira Francisco, de 32 anos, dirigente da JURA.
As detenções ocorreram no âmbito de um processo-crime relacionado com alegadas actividades de desinformação e manipulação política, atribuídas à organização Africa Politology.
Na altura, o SIC informou ter apreendido computadores, telemóveis, pen drives, cartões SIM, documentos codificados e valores monetários em kwanzas e moeda estrangeira.
Outros arguidos, detidos posteriormente, respondem o processo em liberdade provisória sob termo de identidade e residência, aplicada pela PGR.
As autoridades angolanas notificaram o Ministério das Relações Exteriores, que comunicou a detenção às autoridades diplomáticas russas.
O caso segue para as fases subsequentes do processo judicial, devendo ser apreciado por um tribunal competente, num dos processos mais sensíveis do ano no que toca à segurança nacional e interferência externa em território angolano.