Presidente exonera director de Recursos Humanos do SIC envolvido em esquema de recrutamento ilegal – Comissário Froz também foi afastado
Presidente exonera director de Recursos Humanos do SIC envolvido em esquema de recrutamento ilegal - Comissário Froz também foi afastado
RH SIC

O Presidente da República, João Manuel Gonçalves Lourenço, exonerou na quinta-feira, 28 de Novembro, o subcomissário João Nazaré da Silva Neto, director nacional de Recursos Humanos do Serviço de Investigação Criminal (SIC), órgão tutelado pelo Ministério do Interior.

Silva Neto está envolvido num esquema de recrutamento ilegal que facilitava a entrada de civis no SIC em troca de pagamentos, contornando os procedimentos legais estabelecidos.

Estima-se que o esquema, activo desde o início de 2024, gerou mais de 100 milhões de kwanzas, envolvendo cobranças entre 200 mil e 1 milhão de kwanzas, além de terrenos como contrapartidas.

O esquema era supostamente apoiado pelo comissário Froz Adão Manuel, então director de Recursos Humanos do Ministério do Interior, que também foi exonerado do cargo.

Na sequência das exonerações, o Presidente nomeou o comissário António Pereira de Santana como novo director de Recursos Humanos do Ministério do Interior, enquanto que a direcção de Recursos Humanos do SIC aguarda o novo inquilino.

Denúncia e modus operandi do esquema

O esquema foi revelado em Abril de 2024 por Lambi Manuel Pedro Cano, ex-integrante da rede, que apresentou uma denúncia ao então director-geral do SIC, António Paulo Bendje. Cano alegou estar sob pressão de 213 vítimas que, após serem enganadas, exigem a devolução dos valores pagos.

Segundo Lambi Cano, o subcomissário Silva Neto liderava a operação, orientando Gerson Márcio Jordão Mendes Monteiro, mais conhecido por “Chefe Sheu”. Este último coordenava o recrutamento e era responsável por interagir directamente com as vítimas.

O grupo utilizava táticas para reforçar a credibilidade, como telefonemas feitos na presença dos alvos e a criação de um grupo de WhatsApp denominado “Membros do SIC Malange”, que simulava atualizações sobre o processo.

A maioria das transações financeiras era feita através de contas bancárias pertencentes a “Chefe Sheu” nos bancos BAI e BFA, ou em numerário entregue diretamente aos envolvidos.

Tentativa de encobrimento

A denúncia ganhou maior repercussão após uma tentativa de assassinato contra Lambi Cano, que decidiu expor o esquema em detalhes. O caso foi encaminhado à Direcção Nacional de Combate à Corrupção, liderada pelo comissário Caetano Manuel Mufuma, que, segundo acusações, teria ignorado a situação e até beneficiado dela.

Relatos indicam que Mufuma teria usado o esquema para promover aliados e inserir o próprio filho, apelidado de “Mufuma Diabo”, nas fileiras do SIC, mesmo sendo procurado por crimes graves, incluindo agressão e abuso sexual de menores.

Confrontado, o subcomissário Silva Neto recusou-se a prestar declarações sem autorização superior, enquanto Caetano Mufuma permaneceu em silêncio sobre as acusações.

O afastamento das figuras envolvidas reflecte o compromisso do Presidente João Lourenço em combater a corrupção e reforçar a integridade das instituições públicas, após um caso que expôs fragilidades profundas no sistema de recrutamento e gestão.

Compartilhar:

Facebook
WhatsApp
LinkedIn
Twitter
error: Conteúdo protegido