
A gestão interna da TAAG – Linhas Aéreas de Angola volta a estar sob forte contestação, desta vez envolvendo a Administradora das Infra-estruturas e Cadeia de Suprimentos, Maria Manuela da Costa Pardal, acusada por fontes internas de protagonizar práticas intimidatórias e persecutórias contra colaboradores considerados “indesejados” ou desalinhados com a actual orientação do poder interno da companhia.
Segundo fontes do Imparcial Press, processos disciplinares têm sido utilizados como instrumento de pressão e afastamento selectivo de dirigentes e técnicos, criando um ambiente marcado pelo medo, autoritarismo e instabilidade.
O caso mais recente envolve o ex-director de Sistemas e Tecnologias de Informação, Nilson Vieira, cuja exoneração do cargo ocorreu em menos de um ano de funções, na sequência de um processo disciplinar considerado controverso e mandado instaurar directamente por Maria Pardal.
A situação ganha contornos pelo facto de Nilson Vieira ter sido indicado para o cargo por Jaime Miguel Carneiro, actual Presidente da Comissão Executiva da TAAG, conforme este próprio declarou durante o acto de recepção da primeira aeronave Airbus no Aeroporto Internacional 4 de Fevereiro.
“Nilson Vieira foi exonerado do cargo, mas por ser próximo de Jaime Miguel Carneiro o processo de despedimento foi travado”, revelou uma das fontes deste jornal.
Conforme apurações, Vieira encontra-se numa situação de despedimento indirecto, sem funções relevantes, mesmo ostentando a categoria de Assessor e teve uma baixa substancial do seu vencimento, que rondava por volta de seis milhões de kwanzas (ilíquido) e quatro milhões de kwanzas (líquido), para uns míseros 300 mil kwanzas.
A circunstância levanta dúvidas sobre a coerência da nova liderança e expõe fissuras na alegada estratégia de transformação e modernização da companhia.
Fontes internas do Imparcial Press descrevem o actual ambiente de gestão como marcado por arrogância, perseguição selectiva e concentração excessiva de poder, factores que não apenas degradam o clima organizacional, mas colocam em causa a missão institucional da TAAG enquanto operadora pública de referência no transporte aéreo nacional e internacional.
Outrossim, aumentam as preocupações quanto à sustentabilidade financeira da empresa. Em Dezembro de 2024, o Conselho de Administração aprovou, através da Deliberação n.º 16/CA/2024, uma nova estrutura organizacional que criou seis novos gabinetes, dois centros e 30 direcções.
A decisão, tomada sem que sejam conhecidos estudos de viabilidade financeira, implicou um crescimento significativo da massa salarial e do peso estrutural da empresa, num contexto em que a TAAG enfrenta prejuízos operacionais, dívida acumulada e dificuldades no cumprimento de obrigações fiscais e contributivas.
A expansão organizacional, sobretudo nos pelouros Comercial, Operações, Manutenção e Engenharia, e Infra-estruturas e Cadeia de Suprimentos, é descrita por fontes internas como descontrolada e orientada por interesses internos, e não por necessidades técnicas ou operacionais.
Esta arquitectura pesada e mal dimensionada é apontada como um risco real à continuidade financeira da companhia, comprometendo a capacidade de pagamento de salários, impostos, contribuições para a segurança social e compromissos com fornecedores e parceiros internacionais.
Quadros próximos do processo acusam ainda administradores de áreas estratégicas – nomeadamente Comercial, Operações, Manutenção e Engenharia e Maria Pardal (Infra-estruturas, Cadeia de Suprimentos e Serviços) – de utilizarem as novas estruturas como mecanismo de promoção interna acelerada e concessão de aumentos salariais que, segundo as mesmas fontes, chegam a atingir 200%, em detrimento da meritocracia, das políticas internas e da racionalidade financeira.
Maria Manuela da Costa Pardal, recorde-se, tem um percurso profissional relevante, tendo ocupado cargos de topo em empresas como a Refriango, OGMA – Indústria Aeronáutica de Portugal e o Candando Hipermercado, além de exercer, desde Outubro de 2025, funções como Conselheira de Portugal no Mundo.
Ainda assim, dentro da TAAG, o seu desempenho é hoje alvo de críticas severas, com alertas de que o modelo de gestão adoptado poderá acelerar o desgaste institucional e aprofundar a crise estrutural da transportadora aérea nacional.