Reabilitação de Tino Peliganga irrita sobreviventes do massacre de 27 de Maio
Reabilitação de Tino Peliganga irrita sobreviventes do massacre de 27 de Maio
tino pelinganga

Vítimas do “27 de Maio” manifestaram desagrado ao ver o nome de um antigo oficial da DISA, Ludgério de Jesus Florentino Peliganga, mais conhecido por “Tino”, ser apresentado como representante oficial da Comissão de Reconciliação em Memória das Vítimas de Conflitos Políticos (CIVICOP), numa cerimónia organizada pela Fundação 27 de Maio, liderada pelo general Silva Mateus.

O tenente-general reformado Tino Peliganga, também conhecido por Tino Kabuata, é descrito pelas vítimas como “um dos DISA que mais crimes cometeu contra os presos do 27 de Maio”, o massacre acontecido em 1977 a 1979, em que a segurança do Estado exterminou milhares de cidadãos sob o pretexto de uma tentativa de golpe de Estado em Angola.

“O sanguinário Kabuata nunca pediu desculpas a ninguém, nunca lamentou o que se passou no pós-27 e, em plena sessão da tal CIVICOP, chegou a afirmar que muitos dos ‘implicados’ tiveram o castigo merecido”, lamenta uma das vítimas.

Ludgério de Jesus Florentino Peliganga, que também é citado como um dos elementos que, durante aquelas escaramuças, torturou uma antiga prisioneira da JMPLA, Ana Afonso Dias Lourenço, actual Primeira-Dama da República, é constantemente lembrado em várias ocasiões pelas vítimas.

Num artigo intitulado “DOSSIER 27 DE MAIO DE 1977: TINO PELIGANGA, UM ASSASSINO DE QUEM SE FALA POUCO OU NADA”, datado de Maio de 2020, o nacionalista Fernando Vumby, que esteve preso no “27 de Maio”, quando era quadro da Contra-Inteligência Militar (CIM), lembra-se deste agente da DISA como alguém que teria aprendido o ofício de tortura em Cuba, rematando que “só mesmo o sadismo o consagra como um dos maiores assassinos. Quem souber se ele ainda vive, por favor, que me diga e envie-me uma foto dele, pois não consegui encontrar alguma para ilustrar a crónica. E também gostaria de lhe pedir que me devolva o meu fio de ouro e relógio que recebeu quando me mandou despedir e me reservou a secção de socos e pontapés como recepção ao entrar na cadeia”.

Com o fim da DISA, Ludgério de Jesus Florentino Peliganga formou-se em Direito e fez carreira no Ministério do Comércio, onde chegou a exercer vários cargos, dentre os quais o de diretor do gabinete jurídico.

Há 4 anos, aquando dos trabalhos da Comissão para Implementação do Plano de Reconciliação em Memória das Vítimas de Conflitos Políticos, Ludgério de Jesus Florentino Peliganga, na qualidade de Presidente da Federação dos Antigos Combatentes e Veteranos da Pátria, já era apresentado pela imprensa angolana como representante da antiga Direcção de Informação e Segurança de Angola (DISA) neste organismo.

Sobre o aparecimento de Tino Peliganga na cerimónia da Fundação 27 de Maio do general Silva Mateus, o nacionalista Fernando Vumby, que vive há quase 40 anos no exterior depois de ter saído das prisões da DISA, afirmou que “nunca nos identificamos com a tal Associação”.

Vumby acusa Silva Mateus de ter ao lado Tino Peliganga como representante oficial da CIVICOP, descrita por ele como “Instituição que, desde que foi criada, nada mais tem feito do que distribuir dinheiro aos familiares das vítimas do MPLA”, prometendo que “Continuarei ainda a escrever muito sobre este assassino Tino Peliganga, também conhecido pelo nome de guerra ‘Kabuata’, que aparece na imagem vestido com um casaco azul e a coroa de flores”.

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