Refinaria do Lobito inicia produção em Dezembro de 2027
Refinaria do Lobito inicia produção em Dezembro de 2027
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A Refinaria do Lobito, em construção na província de Benguela, terá capacidade para processar 200 mil barris de petróleo bruto por dia a partir de Dezembro de 2027, confirmou esta terça-feira o director do projecto, Guiomar Correia.

O responsável falava durante a apresentação do empreendimento ao Presidente da República, João Lourenço, no âmbito da visita às obras da infra-estrutura, destacando que se trata de uma refinaria moderna, concebida para processar petróleos leves e médios, como o crude de Cabinda, mas com flexibilidade para operar outros tipos compatíveis com as especificações técnicas.

O projecto recorre a tecnologias licenciadas por empresas internacionais de referência, entre as quais a Honeywell e a Shell Global Solutions, em parceria com a Sonangol.

Em plena operação, a refinaria deverá produzir cerca de 46 mil barris diários de gasolina, mais de 100 mil barris de gasóleo, volumes significativos de combustível de aviação (Jet A1) e fuel-oil, que representará aproximadamente 21 por cento da produção.

Está igualmente prevista a produção de enxofre granulado, destinado a usos industriais, nomeadamente na produção de fertilizantes.

Guiomar Correia explicou que cerca de três por cento do gás extraído no processo será reaproveitado para a geração de energia eléctrica, tornando a unidade auto-suficiente e contribuindo para a redução das emissões de dióxido de carbono (CO₂).

No plano logístico, o crude será recebido por uma monoboia situada a cerca de sete quilómetros da costa, ligada por um oleoduto submarino ao terminal marítimo e à área de tancagem.

O terminal permitirá igualmente a expedição de produtos para os mercados nacional e internacional e está preparado para receber equipamentos de grande porte utilizados na construção da refinaria.

O projecto contempla ainda um sistema próprio de geração de energia em ciclo combinado, áreas reservadas para futuras indústrias petroquímicas e um sistema de abastecimento de água a partir do rio Catumbela, que inclui uma represa, estações de bombagem e reservatórios com capacidade total de cerca de 200 mil metros cúbicos.

De acordo com o director do projecto, a estratégia da Sonangol passa por colocar em operação, até Julho de 2027, as chamadas unidades prioritárias, incluindo as de destilação atmosférica e a vácuo, bem como os sistemas auxiliares.

Após um período de comissionamento de cinco meses, a produção deverá arrancar em Dezembro do mesmo ano, inicialmente com nafta em substituição da gasolina, até à conclusão das unidades finais de conversão.

O investimento previsto até 2027 é de cerca de 3,8 mil milhões de dólares, dos quais a Sonangol já aplicou 1,4 mil milhões com recursos próprios.

O custo global do projecto está estimado em 6,27 mil milhões de dólares, com financiamento em negociação junto da banca nacional e chinesa, sendo o China Construction Bank (CCB) o banco mandatado para liderar o sindicato financeiro.

As obras apresentam actualmente um progresso físico de 23 por cento e financeiro de 20 por cento. O projecto já acumula mais de 12 milhões de horas de trabalho sem registo de incidentes graves, envolvendo mais de 2.700 trabalhadores, dos quais mais de 80 por cento são angolanos, com forte representação da mão-de-obra da província de Benguela.

A Refinaria do Lobito é considerada um projecto estratégico para a redução da dependência das importações de combustíveis e para o reforço da capacidade nacional de refinação.

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