
A Federação Russa recrutou dois cidadãos angolanos para integrarem as suas forças militares no conflito contra a Ucrânia, segundo dados divulgados este mês pela organização não-governamental INPACT.
A informação consta do relatório intitulado “O negócio do desespero: o recrutamento de combatentes africanos pelo exército russo”, que aponta um total de 1.417 africanos alistados desde 2023.
De acordo com o documento, os dois angolanos identificados são Luís Urbano da Costa Duarte, nascido a 24 de Novembro de 1970, que assinou contrato a 15 de Junho de 2024, e Maxime Rodrigo Talla Nganou, nascido a 10 de Maio de 1999, que firmou vínculo a 26 de Outubro de 2023.
A ONG, com sede na Suíça, explica que o recrutamento de cidadãos de países terceiros faz parte de uma estratégia da Rússia para colmatar a escassez de efectivos militares, num contexto de guerra prolongada na Ucrânia e de reforço das sanções internacionais que afectam a economia e o sector militar-industrial russos.
Segundo a INPACT, os alvos preferenciais dessas acções são jovens africanos que aspiram a estudar no estrangeiro ou que se encontram à procura de emprego.
As tácticas incluem anúncios falsos de trabalho nas áreas da segurança privada, construção civil, indústria, agricultura, bem como promessas de salários elevados, regularização migratória, facilitação de vistos e transporte para a Rússia.
Entre as promessas feitas aos recrutas constam pagamentos iniciais entre 2.000 e 30.000 dólares após a assinatura do contrato, salários mensais na ordem dos 2.200 a 2.500 dólares, seguro de saúde, eventual naturalização russa após três a seis meses de serviço e treino militar alegadamente baseado em programas de forças de elite.
No entanto, relatos recolhidos pela organização indicam que muitos dos recrutados foram forçados a assinar contratos em língua russa, que não dominam, e enviados rapidamente para a frente de combate com treino mínimo ou inexistente.
O relatório detalha ainda a origem dos combatentes africanos recrutados. Além de Angola, com dois cidadãos, destacam-se países como Egipto (361), Camarões (335), Gana (234), Argélia (56), Gâmbia (56) e Mali (51), entre outros. A média de idades dos recrutas africanos é de 31 anos.
A investigação lista também africanos mortos no conflito, com identificação e país de origem, não constando, até ao momento, vítimas provenientes de países africanos lusófonos.
A INPACT sublinha que alguns governos africanos já adoptaram medidas contra indivíduos e redes envolvidas no recrutamento e defende uma maior cooperação entre Estados para identificar e desmantelar esses esquemas.
A guerra na Ucrânia teve início a 24 de Fevereiro de 2022, quando a Rússia lançou uma ofensiva militar em larga escala, conflito que é considerado a mais grave crise de segurança na Europa desde a Segunda Guerra Mundial.
com/Lusa