
Após as denúncias do ministro de Estado e chefe da Casa Militar do Presidente da República, Francisco Furtado, ter colocado o foco no desmantelamento das inúmeras redes que se dedicam ao contrabando de combustível no país, o Serviço de Investigação Criminal (SIC) tem-se mostrado incansável e em 45 dias apreendeu mais de dois milhões de litros e deteve 169 cidadãos, entre nacionais e estrangeiros, alguns deles “pequenos tubarões”.
Quase todas as semanas o SIC, em estreita coordenação operativa com outras forças de defesa e segurança, tem desmantelado vários estaleiros clandestinos, utilizados para o contrabando de combustíveis.
Só de Outubro até ao dia 15 deste mês, o SIC apreendeu mais de dois milhões de litros de combustível diverso que tinham como destino a RDC e a Zâmbia.
Fontes do SIC asseguraram que dos 169 cidadãos detidos, estão alguns donos (pequenos tubarões) de empresas licenciadas para a comercialização e transporte de combustíveis.
O porta-voz do SIC, superintendente-chefe Manuel Halaiwa, disse que para além destas operações, o SIC quer chegar aos grandes promotores da actividade do contrabando de combustível no país.
Dos cidadãos detidos, na sua maioria nacionais, dois são empresários chineses e detentores de empresas de comercialização e transporte de combustíveis.
“Vamos seguir a investigação, paralela, no âmbito do branqueamento de capitas para ver, efectivamente, se os beneficiários últimos desta actividade criminosa são apenas estes detidos, ou se existem terceiros”, disse o porta-voz do SIC.
O contrabando de combustíveis é um velho problema em Angola. Mas as recentes denúncias da Casa Militar do PR sobre o suposto envolvimento de governantes e altas patentes das Forças Armadas Angolanas (FAA) e da Polícia Nacional trouxeram fôlego a este combate.
A Procuradoria-Geral da República (PGR), através da Direção Nacional de Investigação e Acção Penal (DINIAP), começou já a notificar algumas figuras do Governo que supostamente estão ligadas à rede de contrabando de combustível no país.
Entre as pessoas notificadas estão ex-governadores, generais e comissários da Polícia Nacional e do Serviço de Investigação Criminal (SIC), além de altas figuras da Administração Geral Tributária (AGT) e da Sonangol.
Uma fonte da PGR afirmou que muitas dessas pessoas serão formalmente acusadas, enquanto outras estão apenas a ser chamadas para prestar declarações sobre as investigações que a DNIAP está a realizar, baseadas nas denúncias feitas pela Casa Militar do Presidente em Setembro.
A fonte não avançou nomes, mas mencionou que figuras de destaque da Sonangol e da AGT foram chamadas a prestar declarações.
Recentemente, o novo ministro do Interior, Manuel Homem, assegurou que vai apertar o cerco ao contrabando de combustível, diamantes e madeira, que atesta terem, em alguns casos, “a conivência de agentes do Estado”.
in Novo Jornal