
O Serviço de Investigação Criminal (SIC) está a investigar as circunstâncias da morte de três funcionários da Fazenda Filomena, no município do Panguila, província do Bengo, após exposição a substâncias tóxicas durante uma actividade laboral.
As vítimas foram identificadas como Kwndila José Saldanha, de 38 anos, Moisés Pascoal Domingos, de 34, e Felizardo Maurício, funcionários da unidade agro-industrial.
Em nota de imprensa, enviada hoje, sábado, 05, à redacção do Imparcial Press, o SIC refere que os três trabalhadores exerciam funções ligadas à operação e manutenção da empresa e terão perdido a vida quando se encontravam num depósito subterrâneo de óleo de girassol, onde decorriam procedimentos relacionados com a recolha de amostras.
Segundo o órgão de investigação, os funcionários foram sujeitos a “elevada exposição de elementos tóxicos sem protecção”, o que terá provocado o seu desfalecimento e consequente morte.
Os serviços de socorro da Protecção Civil e Bombeiros e do Instituto Nacional de Emergências Médicas de Angola (INEMA) foram accionados no local, tendo as vítimas sido resgatadas e encaminhadas para uma unidade sanitária, “sem sucesso”, acrescenta o SIC.
A instituição informou ainda que realizou uma inspecção judicial no local, tendo recolhido evidências para exame forense, enquanto os corpos serão submetidos a autópsia médico-legal para apuramento das causas exactas da morte.
“O SIC prossegue em diligências investigativas para o devido esclarecimento do caso, em estreita colaboração com as autoridades locais que integram a comissão multidisciplinar criada para o efeito”, lê-se no comunicado.
Entretanto, colegas das vítimas, ouvidos sob anonimato, alegam que a morte dos trabalhadores poderá estar associada a alegada negligência por parte da direcção da empresa, responsável pela produção de ração animal e, segundo os relatos, gerida por cidadãos estrangeiros.
De acordo com esses testemunhos, o incidente ocorreu na tarde de quinta-feira, 02 de Abril, por volta das 17:00, já depois do horário normal de expediente, quando os três trabalhadores terão sido chamados para efectuar horas extras.
Segundo os relatos, a orientação terá surgido na sequência de uma alegada solicitação urgente de um cliente para obtenção de óleo destinado à composição de ração animal.
Os colegas afirmam que os trabalhadores terão sido orientados a entrar numa área considerada de risco, no interior de um túnel ou esgoto industrial, sem equipamento de protecção individual adequado.
“Eles sabiam que ali havia produtos químicos e tóxicos, e que não se entra enquanto está quente. Ainda assim, foram mandados entrar sem qualquer material de biossegurança”, relatou uma colega, visivelmente abalada.
As mesmas fontes indicam ainda que uma das vítimas chegou a ser socorrida com vida, mas terá morrido a caminho da unidade hospitalar, alegadamente devido à demora no socorro.
Outros trabalhadores afirmam também que, após o incidente, o responsável directo pela orientação da tarefa terá abandonado o local, acusação que, até ao momento, não foi comentada oficialmente pela direcção da empresa.
As autoridades não divulgaram ainda se há responsáveis constituídos arguidos no processo.