
A alegada venda desenfreada de terrenos públicos inicialmente destinados à construção de centros de saúde, esquadras policiais, lojas de registo e espaços de lazer está a gerar contestação nas comunidades do Calumbo e do Sequele, na província do Icolo e Bengo.
A denúncia consta de uma carta aberta dirigida ao Presidente da República e líder do MPLA, João Lourenço, na qual o autor acusa administradores locais de permitirem a comercialização de áreas reservadas para infra-estruturas comunitárias essenciais.
No documento, assinado por Siona Júnior, são mencionados os administradores do Calumbo e do Sequele, Francisco Chipilica e Mano Adão, que, segundo o autor, estariam alegadamente a autorizar a venda de terrenos a cidadãos estrangeiros “sem critério claro nem transparência”.
De acordo com a carta, os espaços em causa deveriam servir para a construção de equipamentos públicos fundamentais, no âmbito do planeamento urbano associado às centralidades do Zango, 8.000, Sequele e Vida Pacífica, projectos habitacionais promovidos pelo Executivo com o objectivo de garantir habitação condigna, organização territorial e estabilidade social.
O autor considera que, a confirmarem-se as práticas denunciadas, estas poderão configurar uma afronta ao esforço do Executivo e um desalinhamento com a política de combate à corrupção e moralização da sociedade defendida pelo Chefe de Estado.
Na missiva, o signatário alerta ainda que decisões administrativas ao nível local podem afectar a confiança das comunidades no Executivo central, sublinhando que, para muitos cidadãos, a responsabilidade política recai inevitavelmente sobre a liderança máxima.
A carta termina com um apelo à fiscalização rigorosa, à reposição da legalidade e ao eventual realinhamento de quadros que estejam a comprometer o interesse público.