Tensão na embaixada de Angola em França
Tensão na embaixada de Angola em França
consul france

A gestão da embaixadora de Angola em França, Guilhermina Contreiras da Costa Prata, continua a suscitar críticas no seio da representação diplomática angolana em Paris, com relatos que apontam para um ambiente marcado por tensões institucionais, dificuldades de relacionamento com outras responsáveis diplomáticas e alegados constrangimentos internos que afectam o funcionamento da missão.

Segundo informações recolhidas pelo Imparcial Press, desde a sua chegada ao cargo, em Janeiro de 2023, a embaixadora tem sido associada a um estilo de liderança considerado rígido e centralizador, situação que terá contribuído para o agravamento de divergências no seio da missão diplomática.

As mesmas fontes referem a existência de relações institucionalmente distantes entre a chefe da missão diplomática angolana em França e outras representantes do Estado angolano naquele país, nomeadamente a delegada permanente de Angola junto da UNESCO, Maria Cândida Pereira Teixeira, e a cônsul-geral de Angola em Paris, Olga da Paixão Franco.

De acordo com as informações recolhidas, os contactos entre as responsáveis diplomáticas limitar-se-iam, em muitos casos, ao estritamente necessário para o cumprimento das respectivas funções, num contexto descrito por observadores como marcado por divergências de natureza institucional e dificuldades de coordenação.

Paralelamente, fontes próximas da missão diplomática relatam a existência de um ambiente de trabalho marcado por tensão e receio de represálias, situação que, segundo as mesmas fontes, tem levado vários funcionários a evitarem manifestar opiniões ou preocupações relacionadas com o funcionamento dos serviços.

As críticas surgem igualmente num contexto em que a gestão dos recursos da missão tem sido alvo de questionamentos.

Conforme revelou recentemente o Imparcial Press, funcionários da embaixada terão manifestado preocupação com a insuficiência de meios de transporte colocados à disposição de alguns serviços diplomáticos, situação que obrigaria determinados funcionários e diplomatas a efectuarem deslocações a pé para o cumprimento de diligências institucionais em Paris.

Os relatos contrastam com os montantes previstos no Plano Anual de Contratação (PAC) da missão diplomática para 2026, que contempla uma verba superior a 3,5 mil milhões de kwanzas (cerca de 3,24 milhões de euros) destinada à renovação da frota automóvel da embaixada.

O documento prevê igualmente despesas de cerca de 111,7 milhões de kwanzas (aproximadamente 102 mil euros) para combustível e aquecimento, valor idêntico ao executado em 2025.

As alegadas dificuldades operacionais e o clima de tensão interna surgem numa altura em que a missão diplomática enfrenta também críticas de sectores da comunidade angolana residente em França.

Fontes da diáspora ouvidas pelo Imparcial Press afirmam existir um crescente sentimento de afastamento entre a embaixada e os cidadãos angolanos residentes naquele país, que reclamam maior proximidade institucional e uma atenção mais efectiva às suas preocupações.

Observadores consideram que a acumulação de relatos sobre conflitos internos, dificuldades de coordenação e alegadas insuficiências na gestão dos recursos poderá afectar a imagem e a eficácia da representação diplomática angolana num dos mais importantes parceiros europeus de Angola.

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