
Trabalhadores da empresa World Security Systems, S.A. (WSS), especializada na prestação de serviços de segurança, incluindo segurança da aviação civil (AVSEC), denunciaram alegados atrasos salariais prolongados e más condições laborais, numa altura sensível da quadra festiva.
A WSS opera no mercado angolano desde 1994 e é reconhecida e certificada pela Autoridade Nacional da Aviação Civil (ANAC), prestando serviços, entre outros, no Aeroporto Internacional 4 de Fevereiro, em Luanda.
Segundo relatos feitos ao Imparcial Press, funcionários que exercem funções de screeners ao serviço da Sociedade Gestora de Aeroportos (SGA) afirmam estar há cerca de quatro meses sem receber salários.
De acordo com os trabalhadores, a administração da empresa informou recentemente que, face a dificuldades financeiras, apenas seria pago o subsídio de Natal, deixando por liquidar os vencimentos em atraso.
Os funcionários contestam essa justificação, alegando que a empresa dispõe de capacidade financeira para cumprir as suas obrigações, mas que, por razões que dizem desconhecer, opta por não regularizar os pagamentos.
“Muitos colegas contraíram dívidas para sobreviver. Há famílias inteiras em situação de grande fragilidade”, afirmou um trabalhador, que pediu anonimato por receio de represálias.
A tensão laboral na WSS não é recente. Em Junho de 2024, a direcção da empresa despediu cerca de 30 trabalhadores que se encontravam em greve por tempo indeterminado.
A paralisação havia sido iniciada no dia 17 daquele mês, após a entrega de um caderno reivindicativo no qual os funcionários exigiam melhores condições de trabalho, aumento salarial, adequação dos horários e o fim dos constantes atrasos no pagamento dos ordenados.
Segundo os trabalhadores, a empresa recusou-se a dialogar com a representação sindical e com o colectivo laboral, inviabilizando qualquer tentativa de consenso.
Na ocasião, o delegado da greve, Angelino Fita Quende, apelou à intervenção das autoridades competentes, nomeadamente a Sociedade Gestora de Aeroportos, a ANAC, o Ministério dos Transportes e a Inspecção Geral do Trabalho (IGT), para mediar o conflito e garantir o cumprimento da legislação laboral.
Os denunciantes afirmam ainda que o despedimento dos grevistas criou um clima de intimidação interna, dificultando novas reivindicações e agravando a vulnerabilidade dos trabalhadores.
“Há colegas que dependem de ajuda de terceiros para se alimentar”, relatou outro funcionário, acrescentando que a situação afecta não apenas o desempenho profissional, mas também a dignidade pessoal dos trabalhadores.
O Imparcial Press continuará a acompanhar o caso e procurará ouvir a versão da empresa e das entidades reguladoras citadas, num processo que levanta sérias questões sobre direitos laborais, responsabilidade social empresarial e fiscalização no sector da segurança privada em Angola.