
O Tribunal da Comarca de Luanda colocou hoje, quinta-feira, em liberdade vários líderes de associações e cooperativas de taxistas, detidos desde Agosto do ano passado na sequência da greve contra a subida do preço dos combustíveis, anunciou uma fonte judicial.
A libertação foi determinada pela unidade de apoio aos juízes de garantias e abrange Rodrigo Luciano Catimba, vice-presidente da Nova Aliança dos Taxistas de Angola (ANATA), Francisco Eduardo, da Associação de Taxistas de Angola (ATA), Rafael Ginga Inácio, da Cooperativa de Táxis Comunitários de Angola (CTCA), e António Alexandre Freitas, da Cooperativa dos Taxistas e Motociclistas Freitas (CTMF).
Segundo a mesma fonte, Francisco Paciente, presidente da ANATA, permanecia ainda sob custódia esta manhã, mas deverá ser libertado nas próximas horas.
Os dirigentes estiveram detidos durante cerca de cinco meses no Estabelecimento Penitenciário de Calomboloca, na província do Icolo e Bengo, após terem sido detidos pelo Serviço de Investigação Criminal (SIC) e acusados pelo Ministério Público (MP) dos crimes de associação criminosa, instigação pública, atentado contra a segurança dos transportes e promoção do vandalismo.
O processo está relacionado com a paralisação dos taxistas ocorrida na última semana de Julho de 2025, em protesto contra o aumento do preço dos combustíveis, que resultou em caos e vandalizações, em 11 províncias, com mais de 40 mortos e centenas de feridos, segundo dados então divulgados pelas autoridades.
De acordo com informações, o Ministério Público entendeu não existirem elementos suficientes para sustentar a acusação, tendo promovido o arquivamento do processo.
Em reacção, o advogado Francisco Muteka afirmou que a libertação põe termo ao que classificou como uma “novela mal contada”, sublinhando que a decisão representa uma vitória para os taxistas e para o Estado de direito democrático.