
Uma delegação do Governo Provincial do Uíge, encabeçada pela vice-governadora para a área técnica e infraestruturas, Helena da Cruz Vieira Dias Pereira, deslocou-se entre os dias 20 e 23 de Outubro, ao município dos Buengas, acompanhada por profissionais das áreas de saúde e educação, bem como por sete jornalistas dos principais órgãos de comunicação pública: TPA, RNA-Uíge, Jornal de Angola e Angop.
No entanto, segundo fontes do Imparcial Press, a viagem, marcada por dificuldades logísticas e uma promessa não cumprida de pagamento de ajudas de custo, tem agora gerado um clima de descontentamento entre os profissionais da imprensa e as autoridades provinciais.
O director da Comunicação Social do Governo Provincial do Uíge, Ismael Botelho, solicitou, antes da partida, a listagem dos jornalistas para assegurar as devidas ajudas de custo, consideradas fundamentais face às condições difíceis da deslocação.
No entanto, após dois dias no terreno e de participarem em atividades de verificação de infraestruturas no âmbito do Programa Integrado de Intervenção nos Municípios (PIIM) – que incluíam a inauguração do Liceu de Cuilo Cambozo, uma escola de 12 salas, e um sistema de abastecimento de água –, os jornalistas ainda aguardavam o pagamento prometido.
Contudo, mesmo após dois dias no terreno, onde participaram em actividades de constatação das duas novas infraestruturas sociais, enquadradas no âmbito do Programa Integrado para Intervenção dos Municípios (PIIM), nomeadamente uma escola de 12 salas (Liceu de Cuilo Cambozo) e um sistema de abastecimento de água, que foram inauguradas pelo governador do Uíge, José Carvalho da Rocha, a 11 de Novembro, os jornalistas ainda não receberam os valores prometidos.
Em resposta a questionamentos feitos a portas fechadas, a vice-governadora comprometeu-se a resolver a situação após contacto com o director da comunicação, o que, segundo os jornalistas, não aconteceu.
Entre os sete jornalistas estavam o director do Jornal de Angola, um fotógrafo, repórteres da RNA, Angop e TPA, que afirmam ver nesta situação uma demonstração de desvalorização e falta de respeito pelos seus direitos profissionais.
Além de não receberem as ajudas de custo, os mesmos alegam ainda terem sido alvo de zombarias, sendo classificados como “ingratos” pelo próprio director de comunicação social por exigirem um pagamento que consideram seu direito.
A postura do director, Ismael Botelho, que terá criticado publicamente os profissionais pela exigência das ajudas de custo, foi encarada pelos jornalistas como uma tentativa de reforço de uma “cultura de intimidação” em relação aos profissionais dos órgãos de comunicação social locais.
Esta atitude, considerada desrespeitosa e inadequada, suscita questionamentos sobre a compreensão do papel da comunicação social enquanto promotora de verdade, justiça e clareza no contexto governativo.
O desfecho deste caso permanece incerto, mas o episódio reflete os desafios enfrentados pelos jornalistas no exercício da sua profissão em Angola, levantando preocupações não só sobre os direitos laborais, mas também sobre a liberdade de imprensa.