Uma curva perigosa que pode custar a carreira política ao Homem – Smith Chicoty
Uma curva perigosa que pode custar a carreira política ao Homem - Smith Chicoty
Manuel Homem

Particularmente, creio que o jovem Manuel Homem está a fazer, desnecessariamente, uma curva bastante apertada, extremamente delicada e, sobretudo, de elevado nível de periculosidade, que poderá, quiçá, custar-lhe a curto-médio prazo a carreira política, tendo em conta os costumes relacionados com os meios políticos em África, no que diz respeito às retaliações imediatamente posteriores à transição político-partidária ao mais alto nível.

Manuel Homem, movido por motivos que são difíceis de precisar, está, de forma pouco avisada e descuidada, a esticar a corda em demasia num momento de elevada delicadeza da história política do partido, que em breve será inevitavelmente marcado por uma transição na sua estrutura diretiva ao mais alto nível, com a eleição de um novo Presidente.

Isto resulta do fato de que o atual Presidente do MPLA e da República, João Manuel Gonçalves Lourenço, ao término do mandato em curso, estará, de acordo com os Estatutos do Partido [Artigo 120°, n° 1] e com a Constituição da República de Angola [Artigo 110°, n° 2, b)], impedido de continuar à frente do Partido e, concomitantemente, do País.

As ações do jovem Manuel Homem, para mim e certamente para os mais atentos, soam a um claro ato sistemático, minuciosamente planeado, de oportunismo puro, típico de quem pretende tirar vantagens políticas e dividendos junto do titular do poder executivo.

Isso resulta do elevado nível de instabilidade, sensibilidade e vulnerabilidade psicopolítica a que João Lourenço se encontra neste momento, fruto de uma evidente rejeição pelos Mais Velhos do partido e por quadros com elevado poder de influência e decisão, relativamente às diabólicas pretensões de João Lourenço, consubstanciadas em dois pontos fulcrais:

  • Forçar um terceiro mandato na Presidência da República;
  • Ou, na pior das hipóteses, forçar um Congresso Electivo com uma única candidatura encabeçada por um nome por si escolhido e indicado a dedo, fechando o exercício democrático no seio do partido numa altura em que os ventos políticos atuais exigem uma maior abertura interna.

Portanto, João Lourenço, a essa altura, infelizmente rejeitado a vários níveis, extremamente desapoiado, abatido e fragilizado do ponto de vista psicopolítico, em estado de vulnerabilidade total, vê em jovens como Manuel Homem, Esteves Hilário, Norberto Garcia e companhia um colo para consolo e alimentação de um hipotético sonho de terceiro mandato.

Um sonho que, de resto, o grupo de jovens supramencionados lhe está e continuará a vender ao limite, visando obter vantagens de todo o tipo junto de João Lourenço, que está a queimar os últimos cartuchos à frente do Partido e da Presidência da República de Angola.

Esta situação tem dado azo à tomada de um conjunto de decisões difusas por parte do Presidente da República, um líder instável e, por isso, cada vez mais maleável face aos intentos diabólicos de um grupo de jovens oportunistas pouco patrióticos, que estão a tomar de assalto alguns pontos estratégicos e decisórios no seio do partido, tirando dividendos de todo o tipo.

Em suma, existem duas possibilidades:

a) Ou Manuel Homem é politicamente desprovido de noção, completamente desavisado (o que não acredito, pois reconheço inteligência em Homem), ao ponto de, por vontade própria, se colocar numa corda bamba em vésperas de uma evidente transição no Partido;

b) Ou Manuel Homem sabe que o plano que tem em marcha lhe permitirá obter dividendos políticos e económicos estratosféricos de tal modo que, independentemente do que venha a acontecer no período imediatamente posterior à partida de João Lourenço, possa ostentar uma posição e/ou status quo que lhe permita, tal como em muitos casos, viver à margem dos barulhos políticos em Angola, desinteressando-se do resto após estar politicamente afastado.

Haverá que aguardar!

*Jurista

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