
Uma recomendação recente sobre o uso de alianças de noivado e calçados nos recintos da Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo no Mundo, também conhecida como Igreja Tocoista, está a gerar polémica e a aprofundar divisões internas na instituição religiosa.
O despacho n.º 010/LE/0024, assinado pelo bispo Dom Afonso Nunes, tem sido alvo de críticas por parte da ala dos Anciãos e Conselheiros da Direção Central, que acusa o líder religioso de violar os princípios fundadores da igreja.
A ala, liderada pelo reverendo Júlio Jundo Katemba, considera que estas práticas representam um “desvio doutrinário” e não reflectem o legado do fundador da igreja, Simão Gonçalves Toco.
Em nota distribuída à imprensa esta semana, a facção reafirmou o seu compromisso com os ensinamentos originais do Tocoismo e rejeitou as orientações de Dom Afonso Nunes.
O reverendo Júlio Jundo Katemba esclareceu que, apesar de Dom Afonso Nunes liderar a Direcção Universal da Igreja Tocoista, ele não tem legitimidade para falar em nome dos Anciãos e Conselheiros da Direção Central.
Katemba recordou que Afonso Nunes renunciou formalmente à sua posição nesta ala em 2002, conforme um documento enviado à Direção Nacional para os Assuntos Religiosos e a outros órgãos estatais.
“A ala dos Anciãos e Conselheiros repudia veementemente estas práticas, que são contrárias aos fundamentos do Tocoismo e ao legado de Simão Gonçalves Toco”, reforçou o reverendo Katemba.
Princípios doutrinários
A Igreja Tocoista segue um conjunto de preceitos bíblicos que os Anciãos e Conselheiros dizem estar a ser ignorados pela Direcção Universal. Entre os princípios doutrinários destacados estão:
A Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo no Mundo encontra-se actualmente dividida em três alas oficialmente reconhecidas pelo Estado angolano. Estas foram estabelecidas pelo Despacho n.º 396/15, de 16 de Novembro, do Ministério da Justiça e dos Direitos Humanos. São elas:
Este despacho anulou o registo n.º 433/92, emitido pelo Decreto Executivo n.º 14 de 10 de Abril de 1992, reorganizando a estrutura da igreja no plano jurídico.
Disputa pelo legado de Simão Toco
A recomendação de Dom Afonso Nunes intensificou o debate sobre a fidelidade ao legado de Simão Gonçalves Toco, fundador da igreja em 1949. Enquanto a Direção Universal defende maior abertura nas práticas da igreja, os Anciãos e Conselheiros insistem na preservação rigorosa dos princípios originais.
A controvérsia reflecte uma disputa mais ampla sobre a autoridade dentro da instituição, num momento em que o movimento religioso enfrenta desafios relacionados à unidade interna e ao respeito pelos ensinamentos do seu fundador.