Vendedora informal envolvida em rede criminosa de medicamentos encontra-se em paradeiro incerto
Vendedora informal envolvida em rede criminosa de medicamentos encontra-se em paradeiro incerto
venda de medicamentos

A cidadã angolana, identificada por Balbina Toko Matanu, encontra-se em paradeiro incerto após alegadamente ter sido envolvida de forma involuntária numa rede criminosa ligada ao desvio e venda ilegal de medicamentos.

A mulher está a ser procurada pelo Serviço de Investigação Criminal (SIC), no âmbito das investigações ao esquema que operava no município de Cacuaco, em Luanda.

O Imparcil Press apurou que alguns cidadãos envolvidos no negício foram para responder sobre as acusações que pesam sobre si, excepto a profuga.

Balbina vivia em Luanda, onde vendia medicamentos no mercado informal dos Kwanzas. Em Junho de 2024, foi abordada por um jovem que conhecia apenas de vista, o qual se apresentou como funcionário da empresa farmacêutica Shalina Angola, sediada em Cacuaco.

O indivíduo ofereceu-lhe medicamentos a preços muito abaixo do valor de mercado, justificando tratar-se de “sobras” vendidas extraoficialmente.

Talze seja por ignorância e necessidade, aceitei”, contou a vendedora, explicando que, como muitas comerciantes informais, não suspeitou da origem dos bens. Durante dois meses, adquiriu grandes quantidades de medicamentos que revendia para sustentar os filhos e a mãe doente.

O esquema foi desmantelado em setembro de 2024, quando agentes do SIC detiveram vários envolvidos. Duas colegas da comerciante, também vendedoras, foram presas.

Ao saber que constava entre os procurados, Balbina dirigiu-se voluntariamente ao Comando Municipal do Cazenga para prestar esclarecimentos.

Porém, segundo informações, foi interrogada sob forte pressão para confessar conhecimento prévio da ilicitude dos produtos.

Na esquadra, foi informada de que poderia responder pelo crime de receptação e ser condenada a vários anos de prisão. Chegou a ser detida por 48 horas e libertada mediante caução paga por um familiar.

De acordo com uma fonte familiar, após a libertação, a mesma terá sido ameaçada de membros da rede criminosa, advertindo que poderia “sofrer consequências” caso cooperasse com as autoridades.

O medo intensificou-se quando uma outra vendedora – também envolvida de forma indireta – foi agredida misteriosamente após depor.

Com receio simultâneo da polícia e de represálias dos criminosos, Balbina desapareceu dias depois. Desde então, encontra-se em paradeiro desconhecido, e as autoridades continuam a procurá-la no âmbito do processo.

O caso expõe, mais uma vez, a vulnerabilidade de mulheres pobres e trabalhadoras informais que, muitas vezes sem conhecimento ou intenção, acabam envolvidas em esquemas ilícitos e ficam desprotegidas perante redes criminosas e um sistema judicial que raramente lhes assegura plena defesa.

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