
Cerca de sete cidadãos angolanos perderam a vida nesta segunda-feira, 17 de Junho, em plena luz do dia, resultantes de um incêndio provocado por efectivos da Polícia de Guarda Fronteiras (PGF) em Cabinda, na aldeia de Yabi, localizada a sul do município de Cabinda, soube o Imparcial Press.
No vídeo enviado à redação do Imparcial Press, é possível ver dezenas de pessoas em prantos e lamentos, tentando identificar as vítimas (entre mulheres e homens) deste bárbaro crime. Nas imagens, também é possível ouvir as declarações de uma das vítimas, relatando os acontecimentos no local.
Segundo informações obtidas por este jornal, as vítimas foram confundidas com um grupo de imigrantes ilegais que pretendia chegar à cidade de Cabinda. A acção teria sido ordenada pelo comandante da 1.ª Unidade da Polícia de Guarda Fronteiras em Cabinda, subcomissário Domingos Manuel Minó.
As vítimas, conforme os dados, foram abordadas pelos efectivos da Polícia de Guarda Fronteiras nos arredores do marco fronteiriço que liga a província de Muanda (na República Democrática do Congo) à aldeia de Yabi, enquanto exerciam os seus trabalhos diários. Ainda não se sabe o que motivou esta acção condenável, que resultou na morte das vítimas em plena luz do dia.
“Sinceramente, até agora nós, cabindas, não sabemos quando terminará essa matança voluntária por parte do governo angolano”, lamentou a fonte do Imparcial Press que denunciou o facto.
De acordo com a nossa fonte, “a polícia de guarda fronteira em Cabinda assassinou sete cidadãos cabindenses, que foram confundidos com estrangeiros da República Democrática do Congo. Isso aconteceu na aldeia de Yabi”.
Em Maio último, o comandante da 1.ª Unidade da Polícia de Guarda Fronteiras, subcomissário Domingos Manuel Minó, exortou os efectivos a pautarem pela disciplina e espírito patriótico no cumprimento das obrigações enquanto ‘guardiões’ da fronteira estatal angolana.
O subcomissário, que falava durante uma formatura geral realizada no Comando da Unidade, demonstrou satisfação pelos níveis de organização, operação e prontidão das forças sob a sua direcção.
A aldeia de Yabi, nos arredores da cidade de Cabinda, alberga um número considerável de antigos combatentes das Forças Armadas de Cabinda, braço militar da Frente para a Libertação do Enclave de Cabinda (FLEC), desde 2007, após o acordo assinado entre o governo angolano e o Fórum Cabindês para o Diálogo (FCD), em Namibe, a 1 de Agosto de 2006.
A aldeia de Yabi tem a particularidade de acolher famílias inteiras, incluindo mulheres jovens, muitas das quais entraram na FLEC por força das circunstâncias, nas bases da República Democrática do Congo e do Congo Brazzaville.
Ver o vídeo aqui: Facebookhttps://www.facebook.com/imparcialpress.angola/videos/1517829689087742