Trabalhadores do BPC exigem actualização salarial após anos sem aumentos
Trabalhadores do BPC exigem actualização salarial após anos sem aumentos
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Os funcionários do Banco de Poupança e Crédito (BPC) exigem à administração da instituição uma actualização salarial urgente, pelo facto de estarem há mais de três anos com os salários congelados, apesar do agravamento do custo de vida e da perda contínua do poder de compra.

As reivindicações partem de trabalhadores administrativos e técnicos do banco público, que denunciam um crescente clima de insatisfação interna face à ausência de reajustes salariais num período marcado por inflação elevada e dificuldades económicas para milhares de famílias angolanas.

Segundo fontes do Imparcial Press ligadas à instituição, os funcionários consideram “insustentável” a manutenção dos actuais níveis salariais, sobretudo num contexto em que os preços dos bens essenciais, transportes e habitação continuam a subir.

“Há colegas que já não conseguem suportar as despesas básicas do dia-a-dia. O custo de vida aumentou drasticamente e os salários continuam os mesmos”, referiu uma fonte do banco.

As críticas estendem-se igualmente à política interna de gestão de recursos humanos. Trabalhadores alegam existir um aumento significativo dos custos associados a cargos de direcção e chefia, enquanto os funcionários da base continuam sem qualquer actualização salarial.

O descontentamento surge também num momento em que o banco liderado por Cláudio Pinheiro Pinto Macedo continua a enfrentar os efeitos de sucessivos processos de reestruturação e redução de efectivos.

Entre 2019 e 2021, o BPC retirou da sua folha salarial 1.014 trabalhadores, no âmbito do processo de “optimização do capital humano” implementado pela instituição.

Só entre 2020 e 2021, deixaram os quadros do banco 576 funcionários, dos quais 225 por extinção de postos de trabalho, 158 por rescisão por mútuo acordo e 110 por despedimento disciplinar, segundo dados constantes do relatório e contas de 2021.

Na altura, o BPC justificou as medidas com a necessidade de reduzir custos operacionais e recuperar a estabilidade financeira da instituição, afectada por elevados níveis de crédito malparado e problemas estruturais acumulados ao longo de vários anos.

Contudo, trabalhadores consideram que os sacrifícios impostos aos efectivos não foram acompanhados por melhorias nas condições salariais e sociais dos funcionários que permaneceram ao serviço.

As exigências por aumentos salariais surgem numa altura em que várias instituições públicas e empresas estatais enfrentam crescente pressão laboral devido ao impacto da inflação e à deterioração das condições de vida no país.

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