
O Ministério da Defesa, junto com o Estado-Maior General das Forças Armadas Angolanas e o Ministério do Interior, devia implementar uma série de Reformas Estratégicas de Segurança.
Noto nas FAA (assim como na Polícia Nacional) uma série de vulnerabilidades referentes às respostas a crises em casos relacionados com possíveis tensões contra um potencial inimigo ou Estado adversário.
Estas reformas devem incluir a aquisição de novos equipamentos e armamentos bélicos de 4ª e 5ª geração, sistemas antimísseis avançados, mísseis de cruzeiro, mísseis antinavio, mísseis antitanque modernos, caças furtivos, satélites militares, satélites espiões, foguetes, etc.
A nossa segurança e inteligência militar têm de possuir a capacidade tecnológica e estratégico-militar para fechar todo o nosso espaço aéreo, terrestre e marítimo, em caso de confronto ou tentativas de invasão e agressão contra o nosso país.
Nessas reformas não se deve excluir a possibilidade de instalação de indústrias bélicas e fábricas de materiais logístico-militares e policiais no país.
O último relatório sobre “Segurança na Região da África Austral e dos Grandes Lagos”, realizado por um grupo europeu de especialistas militares ligados à segurança e inteligência, revela que Angola, apesar de surgir como um dos Estados que mais investe no sector da Defesa (o que, na minha visão, ainda é insuficiente e deveria ser mais), apresenta uma série de falhas e vulnerabilidades estratégicas em termos de Segurança Militar e, consequentemente, de segurança do Estado.
Em caso de uma grande investida militar contra o nosso território, Angola teria sérios problemas em neutralizar tais investidas e em proteger as instituições estatais. Esta é a minha grande preocupação.
Não vou entrar em detalhes sobre este relatório de 62 páginas, mas os especialistas em Inteligência Militar que analisaram o relatório comigo disseram que Angola precisa adoptar uma nova dinâmica militar se quiser ser realmente uma potência militar a todos os níveis na região.
Já sugeri, em vários artigos sobre Segurança Militar, qual o rumo e posição estratégica que Angola devia adoptar. Já foi tudo sugerido. Já escrevi muito sobre isso. O que falta é apenas acção, caso contrário, vamos aparentar ter uma força militar e policial em grande nível e preparada para enfrentar qualquer potencial inimigo, mas na prática isso está muito longe da verdade, porque os relatórios de segurança dizem o contrário.
Os últimos três relatórios não deixam margem para erros ou dúvidas. Na qualidade de Conselheiro Sénior de Segurança de mais alto nível, devo dizer o seguinte: Angola devia projectar-se como um verdadeiro “Poder Militar”, não apenas a nível regional, mas também a nível continental, como o Egipto.
Tenho dito isto o tempo todo e voltarei a dizer a mesma coisa no próximo encontro sobre “Defesa e Segurança”, que será organizado por académicos militares e profissionais militares no início de Outubro.
Mas muitos têm dito (cidadãos comuns e militares com pouco conhecimento estratégico) que o país não está em guerra com ninguém, ninguém o está a ameaçar, então, porquê investir tanto nas Forças Armadas se o país está em paz?
Este tipo de pergunta, quando dirigida a um político-militar sénior, centrado na Segurança Militar, revela um elevado nível de “analfabetismo estratégico” por parte de quem pergunta, porque, antes de mais, o reforço militar faz-se em tempos de paz. Não vais esperar ser atacado ou invadido para pensar em ter um Exército forte.
Em segundo lugar, nada funciona sem segurança; primeiro está a segurança, só depois o resto. Sempre foi assim e sempre será. A segurança custa caro, requer um grande investimento.
A segurança não é um luxo, mas sim uma necessidade. É por isso que os orçamentos no sector da Defesa e Segurança de um Estado são sempre prioritários; ninguém pode mudar esse facto, tendo em conta as complexidades do Sistema Internacional.
N.B.: Trata-se de Reformas na Segurança Militar do Estado, mas tais reformas não se fazem de qualquer maneira… é algo conjuntural.
Saudações Militares.
*Conselheiro Sénior de Segurança