
O ministro de Estado e chefe da Casa Militar do Presidente da República, general Francisco Pereira Furtado, denunciou esta terça-feira, 03 de Setembro, no Soyo, província do Zaire, o envolvimento de altos dirigentes angolanos no contrabando de combustível para a República Democrática do Congo (RDC).
A denúncia foi feita após uma reunião da comissão multissectorial, que visa combater crimes transfronteiriços, incluindo o contrabando de combustível, a pesca ilegal e a imigração irregular.
De acordo com o general Francisco Furtado, foram identificados vários indivíduos de destaque no cenário nacional, incluindo governantes, ex-governantes, oficiais generais, oficiais comissários, autoridades administrativas a nível provincial e municipais, bem como autoridades tradicionais, todos envolvidos neste esquema ilegal.
O denunciante destacou que a província do Zaire concentra 52% dos casos de contrabando de combustível registados no país, caracterizando a região como um foco significativo dessa actividade ilícita.
“O país vive um fenómeno grave que é o contrabando de combustível,” afirmou Francisco Furtado, lembrando que há legislação vigente para criminalizar essa prática.
O chefe da Casa Militar do Presidente da República enfatizou, num ameaçador, que os envolvidos poderão enfrentar sanções severas, incluindo a perda dos seus cargos, conforme já ocorrido em outras regiões do país no contexto do combate ao garimpo ilegal de diamantes.
O elevado número de postos de abastecimento de combustível no Zaire, de acordo com o mesmo, tem facilitado pela liberalização na emissão de licenças, tem contribuído para a proliferação do contrabando.
Segundo ele, a comissão multissectorial está comprometida em implementar medidas para reverter essa situação, incluindo o reforço da fiscalização desde os postos de aquisição de combustível em Luanda até ao transporte para o interior do país.
O ministro de Estado também anunciou um prazo de 30 dias para conter as atividades ilegais no terminal fluvial de Kimbumba, no Soyo, considerado um ponto crucial no contrabando de mercadorias para a RDC.
Além disso, a comissão planeia fortalecer o terminal fluvial de passageiros e mercadorias do Soyo, gerido pela empresa Sécil Marítima, com o objectivo de dinamizar a rota entre o Soyo e a província de Cabinda.
A denúncia de general Francisco Pereira Furtado surge num momento crítico, poucos dias após o governador provincial do Zaire, Adriano Mendes de Carvalho, expressar a sua preocupação sobre o contrabando de combustível durante a visita do Presidente João Lourenço à região.
Esta sequência de eventos levanta questões sobre a eficácia das políticas de combate à corrupção e sobre a disposição das autoridades em enfrentar interesses poderosos que lucram com a ilegalidade.