
O Presidente da República de Angola, João Lourenço, foi hoje mais uma vez alvo de um desprezo político notável na “Cimeira do Futuro”, onde, pela terceira vez consecutiva, discursou quase em “solidão”, numa sala predominantemente vazia, segundo as imagens divulgas pelo CIPRA.
O Imparcial Press constatou que, na abertura da cimeira, realizada ontem, a sala de debate da Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova Iorque, nos Estados Unidos da América, estava repleta de líderes mundiais, mas hoje, durante a sua intervenção, João Lourenço encontrou-se apenas com menos de 50 pessoas dispostas a ouvi-lo.
Com capacidade para cerca de 1.800 pessoas, esta sala é onde representantes de Estados-membros se reúnem para discutir questões críticas de segurança, desenvolvimento e direitos humanos, entre outros temas.
Esta situação foi corroborada por imagens divulgadas pelo Centro de Imprensa da Presidência da República (CIPRA) nas redes sociais.
O cenário destaca um contraste acentuado com a presença de outros líderes que se pronunciaram ontem, domingo, no evento, convocado pelo Secretário-Geral das Nações Unidas, António Guterres.
A repetição deste cenário levanta questões críticas sobre a relevância de João Lourenço no cenário internacional. Em eventos anteriores, incluindo na sede da ONU e numa conferência mundial sobre o meio ambiente, ele já havia enfrentado a mesma indiferença, o que sugere uma crescente desconexão entre Angola e as dinâmicas globais.
A Cimeira do Futuro, que se iniciou no domingo, juntou mais de 130 Chefes de Estado e de Governo, com a missão de encontrar um novo consenso internacional para enfrentar desafios globais e lacunas na governança.

Temas preponderantes, como a aceleração dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) e a reforma do Conselho de Segurança da ONU, dominaram as discussões.
A delegação angolana, que acompanhou o Presidente, foi composta pelo ministro de Estado para a Coordenação Económica, José de Lima Massano, os ministros das Relações Exteriores, Téte António, Vera Daves,das Finanças, Ana Paula Chantre, do Ambiente e Mário Augusto, das Telecomunicações, Tecnologias de Informação e Comunicação Social. Participam igualmente os embaixadores Francisco da Cruz e Gilberto Veríssimo.
No entanto, a efectividade desta representação é questionável, dada a fraca recepção política que João Lourenço tem enfrentado.
“A imagem do Presidente a discursar para um público tão reduzido não apenas ilustra a sua fragilidade no plano diplomático, mas também levanta preocupações sobre a posição de Angola na arena internacional e a eficácia da sua política externa”, comentou o analista residente do Imparcial Press, Nsolé Pedro.
A Cimeira do Futuro foi convocada em 2021, com o objetivo de revigorar e restaurar a confiança no multilateralismo, e a aprovação do Pacto para o Futuro, assim como os seus anexos, representa um passo importante na busca por um novo consenso global.
Contudo, resta saber como as propostas serão convertidas em ações concretas que possam efetivamente impactar as nações em desenvolvimento, como Angola.