
O político e antigo deputado Quintino Moreira, ex-presidente da Aliança Patriótica Nacional (APN), faleceu ontem, terça-feira, 01, em Luanda, aos 56 anos, devido a complicações de saúde.
A sua morte ocorreu após um fim de semana em que esteve hospedado numa unidade hoteleira no município de Cacuaco, acompanhado por uma jovem “jardada” que, segundo fontes, seria supostamente sua nova namorada.
Fontes próximas relataram ao Imparcial Press que Quintino Moreira informou a família, na sexta-feira, 27 de Setembro, que passaria o fim de semana fora de casa.
Mais tarde, foi visto num ambiente festivo (com álcool a mistura) com a jovem num dos hotéis da zona, num episódio que chamou a atenção de conhecidos.
Na segunda-feira, 30 de setembro, o malogrado regressou a casa e queixou-se, horas depois, de sentir-se mal, tendo sido levado inicialmente a um posto médico privado.
Devido à complicação do seu quadro clínico, foi transferido para um hospital público, onde se notou uma aceleração da hiperglicemia no sangue, atribuída ao consumo de álcool durante o fim de semana.
A notícia do seu falecimento surpreendeu a família e amigos, embora o político enfrentasse há vários anos uma luta contra problemas de saúde.
O malogrado foi diagnosticado com diabetes tipo 1, numa clínica da África do Sul, e nos últimos anos lidava também com o vírus HIV/Sida, que agravou significativamente o seu estado de saúde.
De acordo com fontes do Imparcial Press, a sua condição piorou nos últimos meses, em parte devido à recusa em seguir as recomendações médicas e ao não cumprimento do regime de medicação prescrito.
Em Maio de 2022, Quintino Moreira formalizou uma relação com Ana Patrícia da Gama, antiga vice-presidente da APN, comprometendo-se perante a família da sua noiva a casar-se ainda nesse ano. Contudo, o matrimónio não se concretizou.
Apesar do seu estado de saúde, Quintino Moreira manteve-se activo na cena política até recentemente. Em Agosto deste ano, submeteu ao Tribunal Constitucional o pedido de acreditação para uma nova força política, o “Pátria Unida”, que ainda aguardava legalização.
Ao longo da sua carreira política, Moreira desempenhou um papel relevante, tendo sido deputado na Assembleia Nacional entre 2008 e 2012, eleito pela coligação Nova Democracia.
Participou em várias eleições gerais, nomeadamente em 2008, 2017 e 2022, representando formações como o Movimento Para Democracia de Angola (MPDA), Nova Democracia União Eleitoral e a APN.
O mesmo era licenciado em Direito, com especialização em Direito Jurídico-Político pela Universidade Jean Piaget de Angola, e estava a concluir o mestrado em Governação e Gestão Pública na Faculdade de Direito da Universidade Agostinho Neto.
Detinha ainda uma pós-graduação em Gestão e Resolução de Conflitos pela Universidade Agostinho Neto.
A morte de Quintino Moreira encerra o percurso de uma figura controversa, mas significativa no panorama político angolano, deixando um legado político marcado pela sua liderança (apoiada pelo MPLA) e pela fundação de novas iniciativas partidárias para abocanhar os recursos atribuídos pelo Estado nas vésperas das eleições.