
O empresário zambiano Du Shefu Mbandu, entronizado de forma “ilegal” como rei do reino Mbunda em Agosto último, foi deportado para a República da Zâmbia devido à sua entrada e permanência ilegal em território angolano.
Du Shefu havia sido apontado como sucessor do rei Mwene Mbandu IV, falecido em 2022, no entanto, a sua entronização foi contestada pela família real, que o descreveu como “um indivíduo arrogante, com desvio de carácter, falta de princípios de gestão e unificação, além de tribalista”, pouco antes da cerimónia de entronização.
De acordo com informações, Du Shefu foi entronizado clandestinamente, sem o conhecimento da Corte Real, da população do reino, nem das autoridades administrativas e governamentais da província.
Bernardino Katongo, coordenador da Comissão das Festas e Entronização do reino Mbunda, confirmou a deportação de Du Shefu para a Zâmbia, sublinhando que a sua entrada no país foi considerada ilegal.
Katongo também destacou que, devido à alegada “falta de carácter” de Du Shefu, de 53 anos, que era o único candidato ao trono, ele foi considerado “inapto” para assumir o reinado, tanto pela população local quanto pelos membros da corte.
Diante destes acontecimentos, está prevista uma reunião da corte real ainda este ano para selecionar um novo candidato que possa substituir o falecido Mwene Mbandu IV (João Pedro Mussole) em 2025.
Os membros da corte e anciãos que apoiaram e “ungiram” secretamente Du Shefu Mbandu deverão pedir desculpas à corte real e ao povo Mbunda, a fim de evitar possíveis exclusões ou outras consequências, conforme informado por Bernardino Katongo.
Du Shefu teria sido o 25º rei do povo Mbunda, um reino que abrange mais de 15 milhões de habitantes, distribuídos pelos municípios dos Bundas e Luchazes, na província do Moxico, estendendo-se ainda à vizinha província do Cuando-Cubango e a países como Zâmbia, Namíbia, Zimbabwe e República Democrática do Congo.
O reino Mbunda já foi governado por 24 reis ao longo da sua história.