Angola vai beneficiar da redução das taxas associadas à dívida com FMI
Angola vai beneficiar da redução das taxas associadas à dívida com FMI
Vera Daves 3

Angola vai beneficiar, nos próximos tempos, da redução dos custos financeiros associados à dívida contraída ao Fundo Monetário Internacional (FMI), anunciou quarta-feira, em Washington (EUA), a ministra das Finanças, Vera Esperança dos Santos Daves de Sousa.

Em declarações à imprensa angolana, a governante disse ser uma iniciativa enquadrada na revisão de taxas apresentada pelos países membros desta instituição financeira, durante as reuniões do FMI e Banco Mundial, que decorrem, desde 21 deste mês, na capital dos EUA.

Justificou a redução das taxas com o facto de onerar a tesouraria dos Estados devedores, adiantando que os membros destas duas instituições defendem a reformulação do processo de concepção de empréstimos, a fim de tornar mais fácil o acesso ao crédito, principalmente para os países em desenvolvimento.

A também governadora de Angola junto do FMI disse existir um conjunto de reformas que continuarão a ser debatidas, sobretudo os custos com as consultorias de projectos.

Quanto aos benefícios de tais projectos, referiu ser uma das preocupações, apresentadas por Angola, a questão da utilização de poucas empresas e bancos locais, bem como o reduzido aproveitamento de técnicos nacionais quando são financiados países em desenvolvimento.

No âmbito do Programa de Financiamento Ampliado do FMI, implementado entre 2018 e 2021, esta instituição concedeu um empréstimo ao país de cerca de 4,4 mil milhões de dólares, com a inclusão de assistência técnica na aplicação do financiamento concedido.

Gestão da dívida

Quanto à dívida do país, a ministra das Finanças disse que o Governo está a fazer uma gestão proactiva do seu passivo, o que implica encontrar oportunidades que permitam reduzir o custo da sua dimensão, gradualmente.

Explicou que, em alguns casos, a gestão da dívida é feita por meio da troca ou substituição de algumas obrigações e alargamento do prazo de maturidade, enquanto em outros é negociado a libertação de montantes que estavam em contas reservas para fazer pré-pagamentos e acelerar a redução da dívida, como é o caso da China.

Segundo a governante, o Executivo está a desenvolver várias iniciativas, com vista à redução da pressão do serviço da dívida sobre as contas públicas.

Referiu que se tem dialogado de forma permanente com os parceiros, explicando que as novas dívidas a serem contraídas devem ser mais sustentáveis, para “não adicionar o estresse no stock existente”, primando pela conservação.

Conforme Vera Daves, a dívida de Angola continua a ser sustentável, “apesar de a realidade actual não viver sem o endividamento”.

“Estamos a trilhar o caminho da diversificação económica, aumento do PIB e subida das receitas fiscais, facto que nos obriga a recorrer ao endividamento para fazer face ao conjunto de despesas do Estado. Mas é necessário que sejamos criteriosos na identificação das fontes de financiamento”, sublinhou.

Acrecentou ter sido com base na forma criteriosa que o país ainda não emitiu eurobonds neste ano, para “não perigar o futuro das gerações vindouras”, porque seria um custo demasiado alto e difícil de ser pago.

Ainda quarta-feira, o governante angolana foi oradora na sessão que abordou os temas “o sistema alimentar agrícola como motor de crescimento sustentável e criação de emprego”, convite do vice-presidente para o Planeta do Banco Mundial, Juergen Voegele.

Na mesma sequência, Vera Daves de Sousa também o tema “O financiamento da segurança hídrica: aumentar os investimentos para colmatar a lacuna entre a procura e a oferta de água”, num painel que contou com a presença do Presidente da Singapura, Tharman Shanmugaratnam.

Já o ministro do Planeamento e governador de Angola junto do Banco Mundial, Victor Hugo Guilherme, que chefia a delegação angolana, em Washington, participou numa mesa redonda sobre “Infra-estruturas resilientes a desastres”.

Para esta quinta-feira, quarto dia das reuniões de Bretton Woods, a agenda inicia com um fórum de investidores internacionais, que visa debater a actual situação macroeconómica mundial e analisar os avanços fiscais e monetários, assim como o crescimento do PIB, a conjuntura do mercado cambial e de divulgar as oportunidades de investimento no sector real da economia.

Entre outros encontros, a ministra Vera Daves de Sousa vai participar como oradora no debate exclusivo sobre a Economia Global, um convite feito pela directora-geral do FMI, Kristalina Georgieva.

As Reuniões Anuais do Grupo Banco Mundial (GBM) são um conjunto de eventos que juntam líderes influentes de governos, empresas, organizações internacionais, sociedade civil e academia, em busca de soluções para os desafios de desenvolvimento económico e sustentabilidade que o mundo enfrenta.

in Angop

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