
Irene Alexandra da Silva Neto poderá avançar para a liderança do MPLA no congresso ordinário previsto para Dezembro, introduzindo um novo elemento na sucessão de João Lourenço e agitando o panorama interno do partido no poder.
Segundo fontes do Imparcial Press, a candidatura da filha de António Agostinho Neto já está em preparação, com uma equipa no terreno a trabalhar no manifesto político e na recolha de assinaturas de apoio, sobretudo nas províncias de Luanda e Benguela.
Os mesmos interlocutores indicam que a iniciativa não tem caráter simbólico, sendo antes uma aposta estruturada para disputar a liderança partidária.
Médica de formação, Irene Neto, de 64 anos, tem um percurso político e institucional relevante. Foi deputada à Assembleia Nacional durante várias legislaturas e desempenhou funções como vice-ministra das Relações Exteriores para a Cooperação.
Ao longo da sua carreira, tem também estado ligada a iniciativas de cariz social e à preservação do legado político do seu pai.
A eventual candidatura coloca-a entre os nomes já apontados à sucessão, como o general Higino Carneiro, António Venâncio e José Carlos de Almeida, num processo que deverá intensificar-se até ao congresso.
O analista Nsolé Pedro considera que a entrada de Irene Neto poderá introduzir uma nova dinâmica no debate interno do MPLA.
“Trata-se de um momento potencialmente inédito, ao colocar uma mulher na disputa pela liderança do partido, num contexto marcado pela forte carga simbólica do apelido Neto na história política angolana”, comentou.
A sucessão de João Lourenço tem sido um dos temas centrais no seio do MPLA, numa altura em que se aproximam as eleições gerais de 2027.
A eventual candidatura de Irene Neto surge, assim, como um factor que poderá reconfigurar alianças e estratégias dentro do partido, reabrindo um debate que alguns sectores consideravam já estabilizado.