Festejos da independência nacional – Carlos Kandanda
Festejos da independência nacional - Carlos Kandanda
carlos kandanda

Fiquei sem interesse de escrever algo sobre 49 Aniversário da Independência do nosso país. Com certeza, seria do meu grande interesse de fazê-lo. Não apenas por ser uma data sagrada para a vida de uma Nação, mas sobretudo, porque eu fiz parte desta obra gigantesca pela qual dediquei toda a minha juventude contra o colonialismo português, na Frente Leste.

Derramei o meu sangue e perdi o meu pé na mina antipessoal do Exército Colonial Português, na nascente do rio Casai. Só que, estou repugnante olhando para as condições miseráveis, da pobreza extrema, em que o povo angolano se encontra mergulhado.

Um contraste abismal em comparação com a opulência supérflua que se manifesta na classe dominante do MPLA, que sequestrou a nossa independência nacional em 1975, através da invasão e da ocupação do nosso país pelas tropas russo cubanas.

Deste modo, os Acordos de Alvor, negociados e assinados entre Portugal e os três Movimentos de Libertação Nacional, foram violados e invalidados pelo exército expedicionário russo cubano.

O mais grave ainda, que me obrigou a escrever este texto de repúdio, foi quando a senhora ministra de Estado para a Área Social, doutora Maria do Rosário Teixeira de Alva Sequeira Bragança, em Malange, em representação do Presidente João Lourenço, fez um discurso abusivo e arrogante, tratando a FNLA e a UNITA de “forças negativas e retrógradas”, com um tom crítico e violento, dirigindo-se ao povo faminto de Malange, incitando o ódio e a violência.

Não tem sido a minha cultura fazer ataques pessoais, sobretudo às nossas mamas, que têm o dever de promover o patriotismo, a fraternidade, a concórdia, a harmonia, o amor ao próximo, a unidade nacional e a reconciliação verdadeira entre todos os angolanos, em pé de igualdade, sem quaisquer preconceitos de índole sectário, etnocultural, racial ou de estatuto social.

A ministra de Estado, Maria Bragança, foi ministra do Ensino Superior antes de ocupar o cargo atual. Nesta condição, como erudito, ela deveria ter uma mente aberta e uma postura digna, educativa e congregadora, agindo com «frontalidade intelectual» em julgar os factos históricos.

É inaceitável, sejam quais forem as circunstâncias, alguém dar-se ao luxo de faltar respeito aos nacionalistas, aos veteranos e aos combatentes da Pátria, que sacrificaram tudo e libertaram o país do sistema totalitário e do comunismo, que foi defendido pelo MPLA de uma forma intransigente.

O MPLA é que devia reconhecer os seus erros gravíssimos. Por defender uma ideologia retrógrada, e que mergulhou o país na desgraça.

Mesmo hoje, essa ideologia retrógrada (Marxista-Leninista) continua intacta na consciência de muitos quadros fanáticos do MPLA, que têm dificuldades enormes de libertar-se da matriz doutrinária do seu partido, que ofusca a lucidez da sua intelectualidade.

O intricado, neste cenário triste, é o facto de que, o mesmo partido que combatia decididamente o sistema democrático ocidental é que hoje está a fingir-se de estar do lado dos Estados Unidos da América, opondo-se à Rússia que lhe colocou no poder em 1975.

O MPLA é como camaleão que muda bruscamente a pigmentação da cor da sua pele para iludir o público e as potências ocidentais, com promessas falsas.

A mentira é a arma poderosa da sua política, mentindo mesmo sabendo bem que, este facto é de conhecimento geral. Torna-se difícil confiar o destino de um país a uma cambada de camaleões que simulam constantemente a sua natureza?

A História da luta de libertação de Angola é bem-conhecida e bem documentada internacionalmente. Por isso, é absurdo tentar ocultar os Acordos de Alvor, celebrados entre Portugal e os três Movimentos de Libertação (FNLA/MPLA/UNITA) Nacional.

Seria a falta de carácter e do patriotismo ocultar uma realidade histórica que estabeleceu os termos da independência de Angola, e que consagrou (em Alvor) a legitimidade dos três movimentos, como sendo representantes dignos e legais do povo angolano.

Ora, um partido histórico sozinho chamar a si a responsabilidade de todos os esforços de luta de libertação nacional constitui um crime de lesa pátria, contra todos aqueles que derramaram o seu sangue pela nossa Pátria.

Esta Nação é bastante poderosa, um dia fará justiça e repor os factos. Não brinque com a história de um Povo!

Logo, esta postura antipatriótica de não respeitar os termos do Acordo de Alvor, assinados livremente pelas partes revela a «má-fé» e o carácter totalitário do MPLA.

A unidade e a reconciliação nacional não se constrói através da discriminação, do complexo de superioridade e da hegemonia política. Uma Utopia!

Além disso, isso revela igualmente a cultura neocolonialista que habita na consciência da nomenclatura do MPLA, que acha que é dono de Angola, destinado a colonizar Angola eternamente, não obstante as condições miseráveis em que o povo angolano vive.

Só nesta base que podemos compreender a postura do MPLA que assenta na arrogância, na discriminação e na intransigência de fazer tudo, por todos os meios ilícitos, para manter-se no poder.

Em suma, a história da humanidade mostra-nos claramente que, por mais poderoso seja um império, mas cedo ou tarde ele conhecerá o seu desmoronamento. E este advento de mudança do regime já está iminente.

Aliás, em 2022 já tinha sido derrotado no pleito eleitoral. A próxima vez, em 2027, o cenário será muito diferente. Enfim, acreditamos que, o Presidente Donald Trump que defendeu de modo intransigente a lisura e a transparência do processo eleitoral no seu país, terá a vontade política de fazer o mesmo em África, sobretudo em Angola, cujas eleições gerais serão realizadas em 2027.

Como de costume a fraude eleitoral já está sendo montada antecipadamente, com «sacos azuis» a serem preparados para corromper as pessoas e aliciar as personalidades estrangeiras, sobretudo do corpo diplomático, que influenciam os seus governos para reconhecer os resultados fraudulentos muito antes de passar por todos os trâmites legais.

*Ex-deputado da Assembleia Nacional

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