
Na província da Lunda Norte, os responsáveis de recursos humanos da Direcção Municipal da Educação do Chitato são acusados de cobrar 100 mil kwanzas aos professores para efetivar a nomeação ao cargo de coordenador de cadeira.
A denúncia foi feita por uma fonte ao Imparcial Press, que aponta o director municipal da Educação, André Mário, como líder do esquema, usando intermediários para interpelar e coagir os professores de instituições públicas.
De acordo com a fonte, os “mensageiros” do director abordam os professores interessados no cargo de coordenador, exigindo-lhes o pagamento como condição para a nomeação ou continuidade na função.
“Sobretudo aquele tio de Suzuki Jimmy preto está muito mal viciado”, comentou a fonte, referindo-se a um dos intermediários envolvidos nas cobranças.
Um dos professores, que afirma ter sido abordado e cobrado para manter o cargo de coordenador de cadeira, recusou-se a pagar, referindo a sua indignação face à prática.
“Falo por experiência própria. Também fui cobrado para tal efeito e ameaçado de ser exonerado, mas eu não vou dar nada. Exerço as minhas funções de acordo com a cadeira que leciono e não estou para enriquecer alguém com o dinheiro do Estado”, desabafou o docente.
O professor, que se mantém anónimo por receio de represálias, apelou aos serviços de segurança, como o Serviço de Inteligência e Segurança de Estado (SINSE) e o Serviço de Investigação Criminal (SIC), para que investiguem e combatam estas práticas abusivas.
As denúncias de cobrança de subornos em cargos públicos voltam a lançar luz sobre os desafios de transparência e integridade nas instituições angolanas, especialmente no sector da educação. O caso chama a atenção para a necessidade de medidas rigorosas no combate à corrupção e reforço de processos justos e meritocráticos em nomeações e promoções de cargos.