
Um grupo de recém-formados do Serviço Penitenciário, afectos ao Ministério do Interior (MININT), manifestou publicamente o seu descontentamento face aos atrasos salariais que enfrentam há quase um ano.
Segundo apurou o Imparcial Press, a situação envolve 518 novos agentes que realizaram a formação no Centro de Instrução Regional n.° 02 da província do Huambo, e que, desde o juramento da bandeira, aguardam o pagamento dos seus ordenados.
Em mensagem dirigida ao novo ministro do Interior, Manuel Gomes da Conceição Homem, um dos recém enquadrado descreveu o impacto desta situação.
“Estamos há 11 meses sem receber salários, incluindo os seis meses de formação. Enquanto isso, os recém-formados do Centro de Maria Tereza, em Luanda, começaram a receber os seus vencimentos logo após o juramento da bandeira. Será que são mais importantes do que nós?”, questionou.
Os recém-formados foram distribuídos para as províncias de Benguela, Cuanza-Sul e Huambo, mas muitos relatam dificuldades financeiras severas. “Somos pais e responsáveis pelas nossas famílias. Está a ser difícil levar a vida sem dinheiro. Pedimos que o senhor ministro olhe por nós”, apelou.
A formação deste grupo foi encerrada sob a liderança do comandante e delegado do MININT na província do Huambo, comissário Manuel Gonçalves. Apesar das promessas de integração, a falta de remuneração gera frustração e incertezas.
Além dos atrasos salariais, o recruta destacou a falta de clareza nos processos de ingresso nos vários órgãos do MININT. “Há mais de 12 anos que os cidadãos não sabem ao certo qual o método de ingresso e seleção para os organismos públicos afetos ao ministério. Teoricamente, sabemos que é necessário ter competências e habilidades, mas na prática, os processos são pouco claros e deixam margem para irregularidades”, acrescentou.
O recruta também lamentou o histórico de casos de cidadãos burlados ao tentarem ingressar nos órgãos do Ministério do Interior. A falta de transparência no recrutamento tem sido alvo de críticas recorrentes por parte da sociedade civil.
Manuel Gomes da Conceição Homem, empossado recentemente como ministro do Interior, tem agora o desafio de enfrentar estas questões.
Os recém-formados pedem a intervenção direta do ministro para resolver a questão dos atrasos salariais e garantir igualdade de tratamento entre os recrutas de diferentes centros de formação. “A pátria não implora aos seus filhos, ordena”, concluiu o recruta, num apelo emocionado às autoridades competentes.
O MININT é responsável pela supervisão de órgãos essenciais, como a Polícia Nacional, o Serviço de Investigação Criminal (SIC), o Serviço de Migração e Estrangeiros (SME), os Serviços Penitenciários e os Bombeiros, com a missão de garantir a ordem e segurança pública no país.