Venâncio Mondlane aceita reunião proposta pelo Presidente para resolver conflito pós-eleitoral em Moçambique
Venâncio Mondlane aceita reunião proposta pelo Presidente para resolver conflito pós-eleitoral em Moçambique
Venâncio Mondlane

O político moçambicano Venâncio António Bila Mondlane anunciou, esta quinta-feira, a sua aceitação da reunião proposta pelo Presidente Filipe Nyusi, que incluirá outros candidatos presidenciais às eleições de Outubro.

O objetivo do encontro é abordar o conflito pós-eleitoral que tem afetado o país há cerca de um mês. Mondlane, contudo, condicionou a sua participação à existência de uma agenda estruturada para o encontro.

“Eu, Venâncio Mondlane, candidato vencedor das eleições presidenciais de 2024, aceito sem reservas este diálogo, aceito esta mesa de diálogo (…). Mas esse diálogo, como qualquer negociação ou encontro institucional, deve ter uma agenda”, declarou o político numa transmissão pela sua conta oficial no Facebook.

Para evitar o que descreveu como “ir ao encontro no vazio”, Mondlane anunciou que apresentará, na manhã de sexta-feira, um documento formal à Presidência da República. Este ofício conterá uma proposta detalhada de agenda, construída com base nos contributos de cidadãos moçambicanos, refletindo os passos necessários para contestar os resultados eleitorais anunciados.

“Cerca de 40 mil pessoas enviaram [e-mails] e todas as sugestões estão resumidas na carta que será entregue na Presidência”, destacou.

Mondlane sublinhou que o documento reúne cerca de 20 pontos principais, que, segundo ele, “representam os anseios do povo moçambicano” e servirão como base para o diálogo.

Importa salientar que, o presidente da Resistência Nacional Moçambicana (Renamo), Ossufo Momade, principal partido da oposição de Moçambique, exigiu na segunda-feira última a “anulação imediata” das eleições de 9 de Outubro e a criação de um “governo provisório”, até que se façam novas eleições.

“Estamos aqui para solicitar a anulação imediata deste processo eleitoral. Aos olhos de todos e da comunidade internacional somos unânimes em afirmar que o mesmo não refletiu a vontade legítima do povo por vários motivos que são por todos nós conhecidos”, disse Ossufo Momade, em conferência de impressa, em Maputo.

Segundo o também candidato presidencial, um dos quatro que concorreu em outubro à sucessão de Filipe Nyusi, exigência da anulação das eleições, “não deslegitima a voz do povo, mas assegura que essa voz seja ouvida de forma clara e inquestionável”.

Na terça-feira, o Presidente moçambicano, Filipe Nyusi, dirigiu-se à nação, apelando aos quatro candidatos presidenciais para uma reunião conjunta, enquanto condenava as manifestações violentas que têm ocorrido no período pós-eleitoral. Nyusi alertou que a instabilidade nas ruas fragiliza o país e apelou à unidade para alcançar uma solução.

“Prometo que, até ao último dia do meu mandato, irei usar toda a minha energia para pacificar Moçambique. Mas, para que eu tenha sucesso nesta missão, precisamos de todos nós e de cada um de vocês (…). Os moçambicanos têm de estar juntos para resolver os problemas”, declarou o Presidente numa mensagem de cerca de 45 minutos.

Nyusi também exortou à superação de interesses egoístas e reafirmou que o Governo está disposto a trabalhar em conjunto com todas as partes para ultrapassar o actual impasse.

O contexto tem sido marcado por protestos e paralisações organizadas por Venâncio Mondlane, que não reconhece os resultados das eleições gerais de 9 de Outubro, divulgados pela Comissão Nacional de Eleições (CNE) e ainda sujeitos à validação pelo Conselho Constitucional.

Com o último mandato de Nyusi a aproximar-se do fim, em Janeiro, o apelo ao diálogo reflecte um esforço para evitar a escalada do conflito e construir um caminho de consenso político em Moçambique.

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