Curso do Serviço de Migração e Estrangeiros suspenso por irregularidades na selecção de recrutas
Curso do Serviço de Migração e Estrangeiros suspenso por irregularidades na selecção de recrutas
Homem SME

O Ministério do Interior anunciou hoje a suspensão do curso de ingresso para a carreira do Serviço de Migração e Estrangeiros (SME), que decorria nos centros de treino de Viana (Escola Nacional de Migração, Km32) e Benfica, em Luanda, soube o Imparcial Press.

Mais de cinco mil recrutas, que há meses frequentavam a formação, foram surpreendidos com a recolha das suas fardas e passes por efectivos do ministério, a apenas quatro dias do encerramento do curso, inicialmente previsto para terminar a 28 de Novembro.

De acordo com informações obtidas, a suspensão deve-se a irregularidades no processo de selecção dos recrutas, que terão envolvido altas patentes do SME. A decisão foi tomada pelo ministro do Interior, Manuel Gomes da Conceição Homem, após relatórios dos órgãos de informação apontarem falhas graves no recrutamento.

Os recrutas, que estavam há quase seis meses em formação, manifestaram perplexidade e descontentamento com a falta de informações concretas sobre a suspensão.

Segundo testemunhos, a decisão foi comunicada de forma abrupta, sem explicações detalhadas, e os recrutas foram instruídos a regressar às suas casas.

Durante a sua primeira visita oficial às instalações do Serviço de Migração e Estrangeiros, o ministro do Interior exortou os responsáveis do SME a adotarem medidas rigorosas para preservar a imagem da instituição, combatendo práticas que comprometam os valores éticos e operacionais do órgão.

“É necessário tomar medidas coercivas contra acções que lesem o bom nome e a imagem da instituição e promover uma autoavaliação constante dos valores que o órgão defende”, afirmou o ministro.

Início da confusão

Nos últimos dias, surgiram informações que envolvem a superintendente de migração, Teodorca Sampaio, Chefe do Departamento de Recursos Humanos do SME, em alegações de corrupção activa, o que motivou a intervenção da Inspecção Geral da Administração do Estado (IGAE).

A investigação revelou indícios de uma rede organizada de práticas ilícitas. De acordo com as denúncias, a superintendente terá exigido um montante de 2.500.000 kwanzas a civil que manifestasse interesse em ingressar no SME.

Conforme os dados, a IGAE seguiu rastos de vários depósitos numa conta bancária associada à superintendente. Foram encontrados cerca de de 378 milhões de kwanzas na referida conta.

Esse valor estaria relacionado com a formação, hoje suspensa, que inicialmente concebida para apenas dois mil recrutas. No entanto, devido a irregularidades, o número de efectivos aumentou milagrosamente, cujos dados já constam nos registos da instituição.

Fontes apontam ainda que a superintendente actuava em colaboração directa com o ex-director de Recursos Humanos do Ministério do Interior, Froz Adão Manuel, reforçando a dimensão e a complexidade da alegada rede de corrupção.

Os próximos passos para resolver a situação do curso suspenso ainda não foram definidos, deixando os recrutas numa situação de incerteza. As autoridades não adiantaram se haverá uma nova formação ou reavaliação do processo de selecção.

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