UNITA preocupada com denúncias de abuso de poder atribuídas ao SINSE
UNITA preocupada com denúncias de abuso de poder atribuídas ao SINSE
directores de intelencia

No âmbito das comemorações do 49.º aniversário da criação da Comunidade de Inteligência em Angola, assinalado no dia 29 de Novembro, o Grupo Parlamentar da UNITA emitiu um comunicado crítico que lança luz sobre as fragilidades e os desafios da actual estrutura de inteligência no país.

A data, marcada pela memória do Decreto-Lei n.º 3/75 que instituiu a Direcção de Informação e Segurança do Estado (DISA), é vista pela UNITA como um marco que merece reflexão profunda, não apenas celebração.

A DISA, extinta em 1979 devido a graves relatos de violações dos direitos humanos, aquando dos acontecimentos que tiveram início em Maio de 1977 a Agosto de 1979, é apontada como exemplo histórico de um sistema subvertido por interesses partidários e ideológicos.

O documento lembra que, mesmo com a transição democrática consagrada na Constituição de 1992, os desafios permanecem, agora em novas roupagens.

Segundo a UNITA, as práticas da actual estrutura de inteligência, liderada pelo Serviço de Inteligência e Segurança do Estado (SINSE), devem ser analisadas sob o prisma das violações contínuas da Constituição e da lei.

O grupo denuncia a captura do Estado e da economia por elites, além de contratos lesivos ao interesse nacional, como ameaças à soberania de Angola.

Num tom crítico, a UNITA exige que o SINSE actue em conformidade com os princípios do Estado Democrático de Direito, deixando para trás quaisquer resquícios de subordinação a agendas partidárias. Para isso, defende um controlo parlamentar rigoroso da atividade de inteligência, como ocorre em repúblicas democráticas consolidadas.

O comunicado, enviado à redacção do Imparcial Press, também destaca a necessidade de uma formulação urgente de uma Política de Segurança Nacional que permita ao país antecipar-se às ameaças geopolíticas e aproveitar as oportunidades no cenário internacional.

A UNITA expressa preocupação com as frequentes denúncias de abuso de poder e ilegalidades imputadas ao SINSE. Para o partido, a ausência de transparência e de accountability enfraquece o papel do serviço como um pilar do Estado e coloca em risco a legitimidade da sua atuação.

Embora felicite os profissionais dedicados da comunidade de inteligência, o Grupo Parlamentar da UNITA insiste na urgência de uma transformação institucional que transforme o SINSE numa entidade republicana e apartidária, alinhada aos valores da democracia e ao respeito pelos direitos humanos.

Neste dia de comemoração, a UNITA apela a uma “profunda reflexão” sobre o papel da inteligência angolana na preservação da soberania e da paz. O grupo reitera que o conhecimento, a eficiência e a transparência são os pilares para assegurar a supremacia da Constituição e o bem-estar de todos os angolanos.

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