
Estruturas locais do MPLA em Luanda estão a ser apontadas como responsáveis por uma alegada operação de mobilização política e propaganda em torno da disputa interna pela sucessão de João Lourenço na liderança do partido, com o general Higino Carneiro no centro das tensões.
Segundo informações recolhidas pelo Imparcial Press, o governador provincial de Luanda e primeiro-secretário provincial do MPLA, Luís Manuel da Fonseca Nunes, estará a coordenar uma vasta operação logística ligada à circulação de material político associado ao general Higino Carneiro.
As mesmas fontes apontam o secretário-geral do MPLA, Paulo Pombolo, como um dos responsáveis pela coordenação política da iniciativa, enquanto o famigerado empresário Henrique Miguel “Riquinho” estaria encarregado da produção e promoção de materiais de propaganda, alegadamente articulados com estruturas próximas do general José Tavares e do Norberto Garcia.
De acordo com os relatos, administradores municipais de Belas e da Ingombota teriam recebido orientações para mobilizar moto-taxistas para operações nocturnas de distribuição de camisolas, bonés e outros materiais políticos em diferentes bairros da capital.
As acções deverão intensificar-se durante o fim-de-semana, com previsão de distribuição de mais de 100 mil artigos promocionais contendo imagens e slogans ligados a Higino Carneiro, actualmente apresentado por apoiantes como um dos principais rostos da sucessão no MPLA.
Ao mesmo tempo, sectores internos do partido acusam a existência de uma estratégia paralela destinada a desgastar politicamente a imagem do antigo governador de Luanda, apelidado entre apoiantes de “General 7 Vidas”, num contexto de crescente tensão antes do IX Congresso Ordinário do MPLA, marcado para os dias 9 e 10 de dezembro.
Fontes partidárias do Imparcial Press alegam ainda que a circulação massiva do material poderá servir de argumento para tentar inviabilizar a pré-candidatura de Higino Carneiro junto da Comissão de Ética e Mandatos do congresso, sob alegações de campanha antecipada e violação das regras internas do partido.
O ambiente interno no MPLA tem vindo a deteriorar-se nas últimas semanas, com trocas de acusações, denúncias de intimidação e forte movimentação política nos bastidores, numa sucessão considerada por analistas como uma das mais disputadas da história recente do partido no poder.