
Uma série de desmaios inexplicáveis registados na quinta-feira última, no Instituto Técnico de Saúde de Menongue, capital do Cubango, levou à suspensão imediata das aulas por tempo indeterminado. O incidente ocorreu durante as provas do segundo trimestre, gerando pânico entre alunos, professores e funcionários.
Diante da gravidade da situação, a direcção do instituto accionou os Serviços de Emergência Médica, Proteção Civil e Bombeiros, Polícia Nacional e o Serviço de Investigação Criminal (SIC), numa tentativa de controlar o pânico, apurar as causas e garantir a assistência às vítimas, que foram transportadas para o Hospital-Geral de Menongue.
Foram registados 52 casos de desmaios, todos entre estudantes do sexo feminino, um fenómeno que se repete, já que no dia 25 de Fevereiro, ocorreram 76 desmaios na mesma escola.
Em declarações à imprensa, o director da escola, Ernesto Chinoia, manifestou preocupação com a situação e assegurou que está a ser feito um trabalho para tranquilizar os pais e encarregados de educação.
“Asseguramos que durante as aulas não há contacto com substâncias tóxicas ou reagentes que possam causar reações adversas”, garantiu Chinoia, adiantando que foi realizada uma desinfestação nas instalações para possibilitar o regresso às aulas o mais breve possível.
A chefe do Departamento de Saúde Pública do Cubango, Cristina Luísa, revelou que, após os desmaios registados em fevereiro, foram colhidas amostras e enviadas ao Instituto Nacional de Investigação em Saúde (INIS), mas os resultados não indicaram qualquer vestígio de envenenamento ou exposição a substâncias químicas nocivas.
Possível explicação médica
O médico Alberto Albino, que acompanha o caso, esclareceu que, das estudantes afetadas, duas já sofrem de asma brônquica, o que pode ter contribuído para os episódios.
Segundo Albino, a análise preliminar aponta para um quadro de psicomania infanto-juvenil, um fenómeno psicológico comum na adolescência, caracterizado pelo efeito de contágio emocional, no qual os sintomas manifestados por alguns indivíduos se alastram rapidamente a um grupo maior.
“Se for realmente psicomania, a situação pode normalizar-se em 24 horas. No entanto, se houver outros fatores subjacentes, será necessário um estudo mais aprofundado para determinar as verdadeiras causas e definir a melhor abordagem”, concluiu.
O caso continua sob investigação, enquanto as autoridades avaliam novas medidas para evitar novos episódios e garantir um ambiente seguro para os estudantes.