INSS autoriza ajuste directo de 222 mil dólares para reparar falhas em condomínio de luxo construído por empresa de Minoru Dondo
INSS autoriza ajuste directo de 222 mil dólares para reparar falhas em condomínio de luxo construído por empresa de Minoru Dondo
Minoru Dondo

O Instituto Nacional de Segurança Social (INSS) autorizou, por via do seu presidente do conselho de administração, uma contratação emergencial no valor de 205,1 milhões de kwanzas (equivalente a 222 mil dólares norte-americanos) para intervenções estruturais no condomínio de luxo Atelier dos Sonhos, cujas deficiências vieram à tona após as chuvas do passado dia 1 de Abril.

A justificação para o ajuste direto prende-se com “a degradação da estrutura do condomínio” provocada por precipitações, que resultaram em infiltrações, fissuras, desabamento de tectos e danos nos pavimentos.

No entanto, o caso expõe sérias fragilidades na execução da obra, levantando dúvidas quanto à qualidade da construção entregue há pouco mais de uma década.

Adjudicado em 2008 por 66,5 milhões de dólares à empresa Investe Grupo – Desenvolvimento Imobiliário e Participações, Lda, de Minoru Dondo, o empreendimento custou, à data, cerca de 854 mil dólares por cada um dos 78 apartamentos.

Os elevados custos da obra contrastam com a sua actual vulnerabilidade estrutural, revelando uma aparente ausência de fiscalização rigorosa e de garantias duradouras por parte da construtora.

A autorização para nova despesa surge não como consequência de um sinistro imprevisível, mas como resposta a falhas construtivas graves, que agora oneram novamente os cofres do Estado.

Em vez de exigir responsabilidades à empresa construtora, o INSS opta por um ajuste direto, abrindo margem para questionamentos quanto à transparência do processo e à falta de responsabilização por má execução contratual.

Apesar da gravidade dos danos, não há qualquer menção a medidas legais ou sanções aplicadas à empresa responsável. O foco recai apenas na reparação imediata, ignorando a origem do problema: uma construção deficiente, executada com verbas públicas, num dos condomínios mais caros do país.

Enquanto o INSS delega ao gabinete de apoio ao conselho de administração a tarefa de recolher esclarecimentos sobre a proposta a ser apresentada, o essencial permanece por esclarecer: quem será responsabilizado pelos erros técnicos que agora pesam novamente sobre o erário?

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