2025: Ano mais difícil no sector da educação – Kano Graça
2025: Ano mais difícil no sector da educação – Kano Graça
escola

O ano de 2025 está a marcar a educação nacional como um dos mais desafiadores desde a independência. Em vários bairros e comunidades, jovens que sonhavam com uma oportunidade de prosseguir os estudos foram confrontados com falhas administrativas e tecnológicas que os deixaram de fora dos sistemas de ensino.

Para muitos adolescentes, a inscrição presencial não garantiu a sua presença nas listas oficiais. Outros, mesmo comparecendo às provas, acabaram por constar como ausentes nos registos finais.

Além disso, em alguns institutos, o acesso presencial foi limitado sob a alegação de que o processo deveria ser feito apenas online, ignorando a realidade social de milhares de famílias que ainda enfrentam dificuldades no acesso à internet.

Do ponto de vista sociológico, esta situação levanta sérias preocupações. A escola não é apenas um espaço de transmissão de conhecimentos, mas também um lugar de socialização, disciplina e esperança de ascensão social.

Quando um adolescente é excluído do sistema educativo, abre-se uma brecha que pode ser facilmente ocupada por fenómenos sociais negativos, sobretudo em bairros onde já se registam elevados níveis de criminalidade e prostituição juvenil.

Não podemos ignorar que episódios recentes de vandalização e violência, protagonizados em grande parte por jovens e até crianças desocupadas, são um reflexo directo da ausência de oportunidades estruturadas de inclusão social.

A falta de acesso à educação é, portanto, não apenas um problema pedagógico, mas também uma questão de segurança pública e de coesão social.

Urge, por isso, reflectir sobre a necessidade de maior atenção às políticas educativas, não apenas como mecanismo de aprendizagem formal, mas como instrumento de prevenção de fenómenos sociais que podem comprometer o futuro de toda uma geração.

Afinal, um país que falha em garantir educação aos seus jovens corre o risco de comprometer o seu próprio desenvolvimento.

O nosso maior partido político chama-se Angola.

*Especialista em Ciências da Informação e militante do MPLA

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