Pedonais, passeios e estradas viram mercados em Luanda e no Icolo e Bengo – Rafael Morais  
Pedonais, passeios e estradas viram mercados em Luanda e no Icolo e Bengo – Rafael Morais  
Pedonais

Sinceramente, é revoltante o que estamos a viver. Cada vez que passo pela famosa pedonal  amarela, na vila de Viana e no desvio do Zango, sinto vergonha. Aquela estrutura foi construída  para salvar vidas, para evitar as mortes que eram comuns naquela zona.

Mas hoje, o que vemos?  Um mercado a céu aberto, um retrato da falta de civismo e da ausência de fiscalização em locais  que poderiam servir de espelho e de boa imagem da cidade 

Minhas senhoras e meus senhores, pedonais não são mercados! Passeios não são armazéns!  Estradas não são bancadas! E agora, o que temos? Passeios cheias de grelhadores de bananas frango e outros, bancadas de roupa e até sacos de carvão.

É um cenário vergonhoso que mostra  duas coisas que são:
 

  1. Um povo que perdeu a cultura de respeito pelos espaços público. 
  2. Um governo que perdeu a capacidade de impor ordem. 

E não me venham com a desculpa por favor “as pessoas precisam sobreviver”. Sim, todos  precisamos. Porque o país que temos nos leva a este extremo de sobrevivência e não de viver  como tal. Mas sobrevivência não pode significar destruição da ordem urbana.

Porque quando  uma pedonal vira mercado, quando os passeios estão ocupados e quando até faixas de estrada  são tomadas pelos vendedores, o resultado é caos total, engarrafamentos, acidentes, lixo por  todo lado e zero mobilidade para quem anda a pé. 

Querem um exemplo? A zona do desvio do Zango. Aquilo é um verdadeiro pandemónio! Passeios  ocupados, faixas de rodagem invadidas, poluição visual e sonora por todos os lados. Ninguém  respeita nada!

Ali, todos os dias os vendedores do mercado informal ocupam impunemente os  passeios e as faixas da estrada construída recentemente, provocando engarrafamentos sobretudo no período de tarde. A desorganização urbana é gritante.

A Polícia, ao invés de garantir  a fluidez e segurança do tráfego, parece rendida à desordem. Será mesmo que a Polícia Nacional  perdeu a capacidade de repor a legalidade? Ou será que não lhe é dada a devida autonomia e  ordem para agir? 

Vale lembrar que, há algum tempo, no mesmo desvio do Zango, houve uma tragédia que  provocou mortes por causa de um carro desgovernado. Agora, a questão que não se cala é e legítima perguntar: quantas cidadãs e cidadãos terão ainda de morrer atropelados até que o  Estado acorde para as suas responsabilidades mais básicas?

Senhores governadores de Luanda  e do Icolo e Bengo, revejam-se por favor. Ou são competentes, ou não são. 

Agora, a pergunta é, até quando vamos viver neste descalabro? Onde está a fiscalização? Onde estão as administrações municipais? Onde está o Estado que  devia impor regras e proteger os cidadãos?

A verdade é que estamos diante de uma mistura  explosiva de falta de civismo do povo e ineficiência do governo.

Eu defendo medidas duras, porque a desordem já virou cultura e isso é perigoso. Vender nas pedonais, passeios ou estradas? Multa pesada. 

Mercados improvisados em locais críticos? Remoção sem negociação. Polícia parada a assistir? Responsabilização por omissão. 

Mas não basta punir. É preciso também propor soluções que visem a criação de mercados  organizados e próximos das zonas de maior movimento, para que as pessoas tenham onde  vender sem bloquear vias. 

Campanhas de civismo permanentes, explicando que espaço público devem serem preservadas  por todos. Programas de integração dos vendedores informais, para dar alternativas dignas e não apenas  empurrá-los para outro canto. 

Agora, sejamos sinceros, enquanto não houver fiscalização séria e punição real, nada vai mudar. Porque já virou costume ver passeios e pedonais ocupados, e o povo pensa “se ninguém faz nada,  então posso continuar”. É essa mentalidade que está a matar as nossas cidades. 

Pedonais são para peões. Passeios são para caminhar. Estradas são para carros. O resto é  desordem!  Se não impusermos ordem hoje, amanhã já será impossível recuperar o espaço público.

*Activista

Compartilhar:

Facebook
WhatsApp
LinkedIn
Twitter
error: Conteúdo protegido