Angola progride 6% no Índice das TIC, mas continua abaixo da média regional africana – Eng.º Eric Martins
Angola progride 6% no Índice das TIC, mas continua abaixo da média regional africana - Eng.º Eric Martins
Eric martins

A União Internacional das Telecomunicações (ITU), agência especializada das Nações Unidas responsável por coordenar e padronizar as atividades globais de telecomunicações e Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC), publicou recentemente o Índice de Desenvolvimento das TIC (IDI) 2025, uma das ferramentas mais relevantes para monitorar o progresso digital mundial.

O estudo avaliou conectividade, infraestrutura digital e acesso à tecnologia em 164 países membros, posicionando Angola no 143.º lugar.

A média global ficou em 78 pontos (numa escala de 0 a 100), refletindo os desafios que os países em desenvolvimento ainda enfrentam para se aproximarem dos padrões internacionais.

Classificação económica dos países

O relatório dividiu os países em quatro grupos:

  • High Income (ex.: Canadá, Portugal, Seychelles)
  • Upper-Middle Income (ex.: África do Sul, Namíbia, Botswana)
  • Lower-Middle Income (ex.: Egito, Quénia, Angola)
  • Low Income (ex.: Ruanda, Moçambique, Mali)

Na categoria em que se encontra, Angola registou avanços relevantes entre 2023 e 2025:

  • Cobertura de rede (Coverage): aumento de 17%, refletindo a expansão das telecomunicações móveis;
  • Acessibilidade da internet móvel (Mobile-broadband affordability): melhoria de 21%, indicando maior alinhamento entre o custo da internet e o rendimento nacional bruto per capita;
  • Posse de telemóveis (Mobile Ownership): crescimento modesto de 4%, sugerindo saturação em certos segmentos da população.

Apesar dos progressos, Angola alcançou 52,8 pontos em 2025, um crescimento de cerca de 6% face a anos anteriores (44,1 em 2023; 49,9 em 2024).

Contudo, o país permanece abaixo da média regional africana, fixada em 56 pontos, ocupando apenas a 19.ª posição no continente.

Reformas necessárias

O resultado confirma que Angola está a evoluir, mas precisa acelerar reformas para alcançar países africanos que se destacam no setor digital, como Cabo Verde, referência em inclusão digital escolar, e Rwanda, modelo em governo electrónico e serviços digitais públicos.

Para melhorar a sua posição no ranking, especialistas defendem medidas como:

  • redução do imposto industrial aplicado às telecomunicações, incentivando investimentos em infraestrutura;
  • programas de literacia digital para ampliar o acesso e a utilização das TIC;
  • apoio a startups tecnológicas, fomentando inovação local;
  • fortalecimento de parcerias público-privadas para dinamizar a transformação digital.

Se implementadas, estas iniciativas não apenas aumentariam os indicadores avaliados pela ITU, mas também reforçariam a competitividade e inclusão digital do país, permitindo que Angola avance rumo a um futuro mais inovador e conectado.

*Licenciado em Engenharia de Telecomunicações pela Universidade Católica de Angola
. Mestrando Gestão de Redes e Computadores e sistemas de Comunicação
· Membro da Ordem dos Engenheiros de Angola
· Profissional a nível de redes Cisco (CCNP)
· Membro fundador da Associação Vida & Luz

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