
Por mais que o seu currículo e experiência lhe conferissem mérito, o tempo foi implacável com Efigénia Mariquinha dos Santos Lima Clemente, juíza conselheira que, após meses de interinidade no comando do Tribunal Supremo, viu o cargo definitivo escapar-lhe por um motivo inevitável, a idade.
O Presidente da República, João Lourenço, escolheu esta quarta-feira, 5 de Novembro, Norberto Sodré João como novo presidente do Tribunal Supremo e do Conselho Superior da Magistratura Judicial (CSMJ), pondo fim a um período de incerteza e transição no topo do poder judicial.
A decisão do Chefe de Estado não surpreendeu ninguém. Pois, era apenas uma questão de tempo até que a Constituição e a Lei Orgânica dos Magistrados Judiciais se impusessem.
Nascida em 26 de Julho de 1956, Efigénia Clemente completará 70 anos em Julho de 2026, idade limite para o exercício da magistratura, o que a impediria de cumprir sequer um ano de mandato caso fosse nomeada.
Ainda assim, a juíza atrevidamente tentou. Movida, talvez, por um gosto adquirido pelo poder, arriscou concorrer à liderança definitiva da mais alta instância judicial do país. Um gesto que muitos interpretaram como ousado, mas previsivelmente infrutífero, apesar da força de vontade que lhe caracteriza.
Nos bastidores, a disputa entre Efigénia Clemente e Norberto Sodré João foi descrita como tensa, mas equilibrada. Ambos obtiveram sete votos cada durante a sessão plenária do Tribunal Supremo de 31 de Outubro.
O desempate, ditado pela antiguidade, colocou Efigénia à frente da lista enviada ao Presidente da República, mas a sorte apenas lhe sorriu de soslaio.
Com a nomeação de Norberto Sodré João, juiz conselheiro desde 2016, o Presidente João Lourenço dá sinais de um novo ciclo no poder judicial, procurando recuperar a credibilidade abalada durante a presidência de Joel Leonardo.
Enquanto isso, Efigénia Clemente, que havia sido saudada como uma figura de serenidade e de recomposição temporária, vê a sua carreira aproximar-se do fim por razões óbvias, a idade.
Portanto, a história não termina com derrota, mas com uma constatação inevitável: na justiça, como na vida, o tempo é o verdadeiro juiz supremo.