Fitch decide manter rating de Angola em B- e prevê uma evolução estável
Fitch decide manter rating de Angola em B- e prevê uma evolução estável
BNA2

A agência de notação financeira Fitch Ratings decidiu manter o rating de Angola em B-, com perspectiva de evolução estável, equilibrando a inflação e dívida elevadas com as robustas reservas internacionais e excedente da balança corrente.

“O rating de Angola reflecte indicadores de governação fracos, inflação elevada em relação aos seus pares, níveis elevados de dívida pública em moeda estrangeira e uma das maiores dependências de matérias-primas” entre os países analisados pela Fitch, escrevem os analistas.

Na nota que acompanha a manutenção da opinião sobre a credibilidade do crédito soberano em B-, abaixo do nível de recomendação de investimento, a Fitch salienta, por outro lado, que “os excedentes da balança corrente e reservas internacionais estão acima da mediana dos seus pares, o que proporcionam alguma protecção contra os preços mais baixos do petróleo e o financiamento concessional ainda baixo”.

Na análise aos principais indicadores económicos do país, o segundo maior produtor de petróleo na África subsaariana, a Fitch afirma que “a redução da dívida continua, mas está a abrandar”, apontando para uma redução gradual do rácio da dívida sobre o PIB, de 54,2 por cento no final de 2024, para 50 por cento este ano e 48 por cento em 2026, “devido a excedentes primários moderados e ao crescimento nominal”

Por outro lado, acrescentam, o financiamento concessional, ou seja, abaixo das taxas dos empréstimos comerciais e com maturidade mais longas, é limitado, o que encarece o custo de servir a dívida.

“As amortizações externas deverão atingir um pico de cerca de 7,5 mil milhões de dólares em 2025, face a 6,5 mil milhões de dólares de 2024, com mais de metade [dos pagamentos] a ocorrer no quarto trimestre de 2025, diminuindo depois para cerca de 6 mil milhões de dólares em 2026 e 2027”, escrevem os analistas.

A Fitch alerta ainda que “os custos com juros permanecerão elevados devido aos elevados custos de financiamento interno e externo e ao acesso limitado a financiamento concessional para apoio orçamental”, com o rácio dos juros sobre a receita fiscal nos 28 por cento, quase o dobro da média de 15 por cento registada nos países que têm um rating de nível B.

in Lusa

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