Crise interna na TAAG marcada por nepotismo e contratações irregulares
Crise interna na TAAG marcada por nepotismo e contratações irregulares
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A TAAG – Linhas Aéreas de Angola enfrenta uma crise interna grave e crescente, marcada por alegações de nepotismo, ingerência política e recrutamentos sem critérios técnicos, num momento em que a transportadora nacional acumula resultados financeiros negativos e mantém uma estrutura operacional considerada insustentável.

Fontes internas e documentos analisados pelo Imparcial Press indicam que está em curso uma tentativa de introdução de cerca de mil novos colaboradores, desde o início do ano em curso, à margem dos regulamentos internos de admissão e sem qualquer relação com a real capacidade financeira ou operacional da companhia.

A iniciativa, descrita como “expansionista e politizada”, contrasta com os rácios de produtividade estagnados, défices históricos e a necessidade urgente de reestruturação.

Segundo apurou o Imparcial Press, o actual processo de recrutamento tem sido dominado por práticas de favorecimento político, indicações externas, relações familiares e ausência absoluta de transparência.

Estas práticas levantam preocupações sobre a degradação do capital humano, a sustentabilidade da empresa e a violação dos princípios da função pública, tendo em conta que, embora comercial, a TAAG mantém um papel estratégico para o Estado angolano.

Nomeações polémicas

Um dos casos mais contestados envolve a administradora para o Jurídico e Capital Humano, Neide do Rosário Pinto Teixeira, acusada de integrar na sua equipa técnicos e consultores com qualificações duvidosas, incluindo uma assessora recentemente promovida a Business Partner, todos admitidos sem concurso público ou processo formal, como exigem os regulamentos internos.

As admissões, feitas de forma informal, levantam sérias dúvidas quanto ao rigor, legalidade e imparcialidade na gestão do capital humano.

No pelouro do presidente da Comissão Executiva (PCE), Nelson Oliveira, a polémica intensifica-se com a nomeação da subcomissária da Polícia Nacional Luísa Hermes, designada Diretora responsável pela área sensível de segurança aérea, física e patrimonial.

A subcomissária, que não possui qualquer experiência no sector da aviação civil, foi imposta pelo então presidente do Conselho de Administração, António dos Santos Domingos, contrariando a intenção do PCE.

A decisão repete um padrão de gestões anteriores, como a de Ana Major, que também introduziu quadros sem especialização técnica adequada, entre eles Fernando Moniz, um reformado com ligações à Inteligência Militar, mas falsamente anunciado como membro do SINSE num comunicado interno assinado pelo então PCE Eduardo Fairen.

Desde a sua nomeação, Luisa Hermes tem frequentado diversas formações no estrangeiro com todas as despesas suportadas pela TAAG, um sinal evidente de que não detinha as qualificações necessárias para o cargo que ocupou.

Mais grave ainda, fontes internas denunciam que a oficial facilitou recentemente a entrada de cinco novos colaboradores na sua Direcção, entre eles familiares directos e pessoas indicadas como “moeda de troca” em acordos de influência envolvendo o PCE e o Ministério dos Transportes.

Nenhuma destas admissões, sublinha-se, passou por concurso, parecer técnico ou avaliação de competências.

A sucessão de decisões consideradas arbitrárias, politizadas e desprovidas de rigor técnico está a gerar um ambiente de forte desmotivação entre os quadros da companhia, que alertam para o risco de colapso operacional caso a empresa continue a absorver pessoal sem qualificação enquanto enfrenta prejuízos acumulados e um mercado altamente competitivo.

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