João Lourenço desvaloriza pré-candidaturas e acusa militantes de criarem “confusão” no MPLA
João Lourenço desvaloriza pré-candidaturas e acusa militantes de criarem “confusão” no MPLA
JL higino

O presidente do MPLA e da República, João Lourenço, endureceu o discurso interno ao classificar como “barulho, confusão e distração” as manifestações públicas de militantes que dizem pretender concorrer à liderança do partido, numa clara mensagem de contenção dirigida a eventuais adversários antes do congresso previsto para 2026.

Falando no sábado, em Luanda, perante milhares de militantes reunidos num comício alusivo ao 69.º aniversário do MPLA, João Lourenço rejeitou a ideia de que o partido seja fechado ou hostil a múltiplas candidaturas, mas sublinhou que, até ao momento, não existe qualquer candidatura formal em curso.

“O que está a acontecer é apenas manifestação de interesse. Não é candidatura”, afirmou, questionando a “pressa” dos que se expõem publicamente quando as eleições internas ainda estão a cerca de um ano e meio de distância.

As declarações surgem no contexto da pré-candidatura anunciada em Julho pelo general na reserva Higino Carneiro, que manifestou intenção de concorrer à presidência do MPLA no próximo congresso ordinário.

Sem citar nomes, João Lourenço criticou a prática de enviar cartas ao líder do partido e, simultaneamente, publicitar essas intenções nas redes sociais.

“Escrevem ao presidente para quê? O que é que o presidente vai fazer com esse papel?”, ironizou, acrescentando que tais comunicações são simplesmente “postas de lado” até à abertura formal do processo.

O líder do MPLA frisou que não cabe ao presidente do partido encaminhar pré-manifestações de interesse para eventuais comissões de candidatura, reafirmando que apenas quando os órgãos competentes forem criados é que as candidaturas poderão ser formalizadas.

Ainda assim, garantiu que o partido respeitará os seus estatutos e que o processo será conduzido pelos órgãos próprios: o Bureau Político, o Comité Central e o congresso.

João Lourenço reiterou que o MPLA apresentará, no fim do processo interno, um único candidato ao Tribunal Constitucional, conforme determina a Constituição da República, esclarecendo que isso não significa rejeição de múltiplas candidaturas internas.

“O candidato do MPLA não será o candidato do João Lourenço, nem de outro dirigente individualmente, mas o candidato escolhido pelos órgãos do partido”, sublinhou.

No seu discurso, o presidente do MPLA acusou ainda alguns militantes de promoverem “campanhas enganadoras”, sobretudo junto da juventude, alegando falsamente que “os mais velhos” do partido já decidiram quem será o próximo candidato presidencial.

Classificou esse comportamento como “desonesto” e alertou para riscos de “anarquia” interna, prometendo combatê-la com firmeza.

João Lourenço recorreu a uma metáfora desportiva para explicar a sucessão na liderança, comparando a governação a uma corrida de estafetas.

Defendeu que o próximo líder deve estar “mais fresco”, melhor preparado e com maior capacidade para vencer as eleições e governar o país.

“Quem me vier a suceder tem de fazer melhor do que eu”, afirmou, garantindo que se sentirá orgulhoso se isso acontecer.

O comício serviu, assim, não apenas para celebrar o aniversário do MPLA, mas também para marcar posições políticas internas, num momento em que começam a emergir sinais de disputa antecipada pela liderança do partido no poder desde 1975.

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