
O analista político Esmael Manuel alertou que a criação excessiva de partidos políticos em Angola pode representar riscos para a estabilidade económica do país, caso não seja acompanhada por instituições fortes e partidos com maturidade política.
Segundo o analista, embora a pluralidade partidária seja um pilar fundamental da democracia, o surgimento de muitos partidos sem base ideológica sólida ou programas económicos consistentes pode gerar instabilidade política e pressão adicional sobre os recursos do Estado.
Esmael Manuel explicou que o financiamento público, a organização de eleições e a manutenção de estruturas administrativas associadas a um elevado número de partidos podem aumentar os gastos do Estado, desviando recursos que poderiam ser aplicados em sectores prioritários como saúde, educação e infraestruturas.
O analista destacou ainda que a fragmentação política pode dificultar a formação de consensos no parlamento, atrasando a aprovação de reformas económicas importantes e criando um ambiente de incerteza que afasta investidores nacionais e estrangeiros.
“Uma economia precisa de previsibilidade e decisões estáveis. Quando o sistema político se torna excessivamente fragmentado, as decisões económicas tendem a ser mais lentas e menos eficazes”, afirmou.
Apesar das críticas, Esmael Manuel sublinhou que o problema não está na existência de muitos partidos, mas na falta de critérios rigorosos para a sua criação e funcionamento.
Para ele, o caminho ideal passa pelo reforço da legislação partidária, maior transparência financeira e incentivo à apresentação de propostas económicas credíveis.
O analista concluiu que o fortalecimento das instituições democráticas e a qualificação dos partidos políticos são essenciais para garantir que a pluralidade contribua para o desenvolvimento económico de Angola, e não para o seu enfraquecimento.