
Clientes do Banco Millennium Atlântico (BMA), cujo presidente do Conselho de Administração é Elpídio Ferreira Lourenço Neto, multiplicam queixas sobre alegadas falhas operacionais, descontos não explicados e atrasos na disponibilização de valores transferidos, situação que, segundo vários utentes ouvidos, tem levado muitos a ponderar o encerramento das suas contas.
De acordo com relatos recolhidos em diferentes agências, transferências interbancárias e internas estariam a levar semanas para reflectir nas contas dos beneficiários, enquanto operações de levantamento e depósito enfrentam constrangimentos frequentes, incluindo falta de numerário ao balcão e indisponibilidade prolongada das máquinas de depósito.
Entre as principais reclamações apontadas pelos clientes estão descontos sem esclarecimento prévio, a morosidade na regularização de valores transferidos de outros bancos e a instabilidade do serviço digital “Atlântico Direto”, que, segundo os utentes, permanece indisponível com frequência.
Clientes ouvidos referem ainda que, em várias agências, as máquinas de depósito estariam fora de serviço há meses, dificultando operações básicas.
“O banco promete melhorias, mas a situação mantém-se”, afirmou um cliente que disse estar a tratar do encerramento da conta.
Há também denúncias de alegado desaparecimento de valores nas contas, sem explicação imediata por parte da instituição, situação que, segundo fontes próximas, terá levado algumas empresas a avançarem com processos judiciais contra o banco.
Outras fontes indicam a existência de acções em curso nos tribunais relacionadas com estes casos, embora sem detalhar números.
Em Janeiro deste ano, as autoridades anunciaram a detenção, em Luanda, de 19 indivíduos, incluindo um engenheiro informático do Banco Millennium Atlântico, acusados de desviar mais de mil milhões de kwanzas da instituição para contas de terceiros.
A Polícia, através da Direcção de Investigação de Ilícitos Penais (DIIP), informou que tomou conhecimento da alegada actividade criminosa em Novembro do ano passado, referindo que o funcionário terá explorado vulnerabilidades do sistema para efectuar transferências indevidas.
Na sequência do caso, clientes e empresas têm questionado a robustez dos sistemas de segurança do banco, considerando mais seguro retirar fundos e encerrar contas até que haja garantias de fiabilidade.
Fontes do sector financeiro indicam que, nos últimos tempos, o BMA terá perdido clientes devido às reclamações recorrentes, promovendo campanhas de abertura de novas contas para mitigar a saída de utentes, embora persistam críticas à qualidade do serviço.
O Banco Millennium Atlântico surge com frequência nos rankings de reclamações do sistema financeiro angolano divulgados pelo Banco Nacional de Angola (BNA), figurando entre as instituições com maior número de queixas registadas. Até ao momento, o banco não se pronunciou publicamente sobre as denúncias mais recentes.